Aleksander Barychev
no Rio e São Paulo
Legenda:
Na mesa, o editor do INVERTA, Aluísio Beviláqua; o coordenador
Antônio Cícero,
Em sua visita ao Brasil, convidado pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e pelo Jornal INVERTA, Aleksander Barychev, professor de História, especialista em História Moderna, formado pela Academia de Ciências da antiga URSS, professor da Escola de diplomatas da Rússia, realizou palestras no Rio, no dia 11/07, na Associação Brasileira de Imprensa; e nos dias 12 e 13/07, no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e na USP, em São Paulo.
Um público heterogêneo composto de cerca de 600 pessoas foi reunido nas suas palestras, que lotaram os auditórios. Estudantes, intelectuais, militares, militantes de esquerda e operários estiveram presentes à palestra do historiador russo.
O INVERTA publica uma síntese do que ocorreu nos
eventos realizados no Rio e em São Paulo.
Sua estadia no RJ
O historiador russo Aleksander Barychev, antes de proferir a palestra na ABI, foi recepcionado por dezenas de leitores de INVERTA e militantes do PCML, na sede do periódico, que o saudaram num clima de camaradagem, reafirmando o princípio do internacionalismo proletário.
No dia 11 de julho, realizou-se a palestra na Associação Brasileira de Imprensa (ABI), às 19 horas, no 7º andar.
A mesa teve coordenação do historiador Antônio Cícero Cassiano Souza, que dirigiu os trabalhos em nome de INVERTA e chamou os integrantes à mesa: Aleksander Barychev; a professora Madalena da Costa, que exerceu a função de tradutora; o anfitrião Henrique Miranda, diretor da ABI; o tenente-coronel Anthero de Almeida, um dos combatentes do Levante de 35, que lutou sob o comando de Luiz Carlos Prestes; a professora Zuleide Faria, secretária-geral do PCB; o professor de Estatística Hélio Trinas Filho, representando a Universidade Federal Fluminense (UFF); a professora Victoria Grabois, integrante do Grupo Tortura Nunca Mais (GTNM), filha do revolucionário Maurício Grabois e Aluísio Beviláqua, editor-chefe de INVERTA.
A grande presença da Juventude foi um dos pontos mais elogiados pelo palestrante, que também manifestou seu contentamento ao ver na ABI, entre o público de sua palestra, a presença massiva de trabalhadores do Rio e da Baixada Fluminense/RJ.
Sobre a desintegração da URSS, Barychev destacou duas causas: a primeira foi a tomada do Partido Comunista pelos oportunistas e a segunda causa foi a interferência grosseira do imperialismo no país. Ele criticou a crise econômica por que passa o país, pressionado que está o governo atual de Moscou pelo imperialismo, principalmente os EUA, a produção do país está sendo reduzida, é grande a carestia; forte o desemprego, sobretudo entre a Juventude. As escolas estão sendo privatizadas, assim como alguns serviços básicos. A Guerra da Chechênia é estimulada pelo governo a propósito de fortalecer o poder central. Na época da URSS, os povos chechenos e russos viviam sob o mesmo espaço, somente após a desintegração, com a instalação do capitalismo, deu margem a esse conflito.
Alguns pontos apresentados sobre a desintegração da URSS:
"O imperialismo não dorme. Na verdade, a política norte-americana é de esmagar a Rússia, como ele destruiu a União Soviética, e destruir toda a oposição, inclusive, eles querem comprar todos aqueles que eram comunistas e mais a geração seguinte. Esse é o quadro que eles tentam passar para o mundo como uma democracia existente no nosso país".
E sobre a Rússia hoje:
"A situação a todo momento muda na Rússia,
por causa do agravamento, das condições sociais existentes
atualmente, principalmente, depois da eleição de março
que elegeu o parlamento do governo. O povo que acreditava ainda na eleição
está chegando a conclusão que via parlamento, via eleição
não se chega em lugar nenhum. Porque o parlamento não é
um órgão que vai representar a libertação da
classe trabalhadora, ele apenas restaura o poder burguês". (G.S.)
"Parlamento só restaura poder burguês"
Nos 3 dias em que esteve presente em São Paulo, o bolchevique, Aleksander Barychev, realizou duas grandes palestras, se reuniu com várias entidades representativas dos trabalhadores e aposentados, deu entrevistas à imprensa, visitou museus e teatros da capital paulista e andou pelas ruas da região central da capital para sentir de perto o corre-corre dos paulistanos.
Nas reuniões com as entidades representativas dos trabalhadores, o dirigente comunista revolucionário sempre procurou destacar a necessidade da construção de uma organização revolucionária como principal instrumento de luta da classe trabalhadora e criticou o argumento daqueles setores que se alto intitulam "marxistas independentes".
Em suas palestras estiveram presentes vários estudantes, trabalhadores de vários setores da produção, professores e aposentados. Nelas, onde foi resgatado as históricas lutas e conquistas dos comunistas revolucionários, também se fizeram presentes históricos comunistas da luta de classes do nosso país. No Sindicato dos Metalúrgicos do ABC estiveram presentes o ex-membro da direção estadual do velho PCB, o "Costa" e o camarada Zé Fernandez, que coordenou os trabalhos da mesa, ambos membros do PCML, e do professor Pascoal. Na USP (Universidade de São Paulo) a história se fez presente com a presença do camarada Emanuel e da camarada Elisa Branco que, por força de suas lutas contra a guerra da Coréia, foi chamada a fazer parte da mesa, ambos também no PCML.
(Roberto Figueiredo - Sucursal São Paulo)
As históricas conquistas
dos comunistas
e a atual barbárie capitalista
na ex-URSS
Em suas palestras o dirigente bolchevique resgatou as lutas e conquistas históricas dos comunistas revolucionários da União Soviética e do campo socialista, como a tomada do poder político e da máquina estatal comandada pelos bolcheviques em 1917, a reconstrução da Rússia arrasada pela guerra e asfixiada pela invasão das grandes potências imperialistas logo após a revolução, a heróica vitória dos comunistas sobre o fascismo e nazismo na II Guerra Mundial, a organização de todas as repúblicas soviéticas, a conquista da segunda posição mundial no desenvolvimento econômico-industrial e disparadamente o primeiro lugar nos índices de desenvolvimento humano (educação, cultura, saúde, alimentação, moradia), na distribuição de renda e na solidariedade internacional.
Sobre a atual situação na Rússia, o dirigente bolchevique demonstrou como em apenas 10 anos o capitalismo e sua democracia burguesa destruíram uma por uma as conquistas sociais e humanas em décadas de luta na construção do socialismo. Os revisionistas e oportunistas, que pouco a pouco foram tomando a direção do PCUS, passaram o poder político e a máquina estatal para as mãos de uma reduzida oligarquia financeira e mafiosa; racharam a União Soviética em dezenas de pequenas nações, restaurando nomes e bandeiras do passado; privatizaram toda a economia, concentrando toda riqueza e renda nas mãos de uma reduzida oligarquia; e acumularam uma dívida externa de bilhões e mais bilhões de dólares da banca financeira internacional. Em pouco, todos os países que constituíam a potência da ex-URSS se colocaram de joelhos frente às oligarquias financeiras internacionais.
As conseqüências da perda do poder político e do controle da máquina estatal estão sendo demasiadamente trágicas para os trabalhadores e povos soviéticos. Guerra civil na Albânia, invasão em Kosovo pelas tropas da OTAN, ocupação da Chechenia pelo exército branco russo, mais de 20 milhões de desempregados, salários completamente defasados, assistência social destruída, miséria proliferando como epidemia sobre o campo e a cidade, crianças e idosos morrendo por desnutrição e doenças que estavam er-radicadas, prostituição alimentando famílias, violência e narcotráfico consumido a sociedade, etc., etc. Esta barbárie capitalista nem de longe é representada pelos números divulgados pela ONU, que colocam a Rússia no 72º lugar no Índice de Desenvolvimento Humano.
Durante os debates a pergunta que sempre esteve presente era o porquê da queda da grande potência soviética. Depois de criticar as falsas concepções sobre a impossibilidade da construção do socialismo em um só país ou devido ao baixo desenvolvimento das forças produtivas, o bolchevique russo disse que na realidade existem 2 fatores fundamentais, um externo e um interno. O externo se refere à imensa soma de recursos despejados na guerra militar, política e ideológica para desestabilizar a maior experiência revolucionária dos trabalhadores. O interno, e mais importante, diz respeito à crise de direção revolucionária. Mesmo com a revolução vitoriosa comandada pelos bolcheviques, liderados por Lenin, e o grande salto na construção do socialismo, no período de Stálin, as correntes oportunistas e revisionistas não foram totalmente eliminadas do poder soviético. A correlação de forças começou a mudar depois da Segunda Guerra Mundial, quando milhões de comunistas revolucionários morreram na heróica luta contra o avanço das tropas nazi-fascistas, particularmente depois da morte de Stálin. Durante a "Guerra Pátria", quando a palavra de ordem era comunistas na linha de frente da guerra, os oportunistas e revisionistas estavam escondidos nas casernas. Com a queda dos comunistas revolucionários, estes oportunistas e revisionistas passam a ocupar decisivos cargos no PCUS e a concentrar inúmeros privilégios materiais. É justamente deste setor que surge , no governo de Kruchev, os supostos "crimes de Stálin" e se forma a famosa "nomenklatura". A desintegração total finalmente se dá no momento em que os oportunistas e revisionistas passam a controlar totalmente o poder político, podendo sair para a traição aberta contra o sistema socialista e o povo soviético com a perestroika de Gorbachov e depois com Iéltsin. (R.F.)
Na USP, a trama dos revisionistas
Na USP, os jovens alunos e os históricos comunistas puderam acompanhar de perto a ação dos oportunistas e revisionistas de setor da intelectualidade instalada na maior universidade do país. Exatamente estas duas tendências que tanto prejuízo causaram à classe operária e ao movimento revolucionário internacional violaram a composição da mesa e o encaminhamento da palestra. Num primeiro momento, deram inicio à palestra sem que o PCML e o jornal INVERTA, que foram os responsáveis pela vinda e agendamento de todas atividades do dirigente bolchevique no país, estivessem representados na mesa. Na reunião com a coordenação do evento, havia sido acordado que na mesa instalada para dirigir os trabalhos fariam parte o PCML e o jornal INVERTA, o Sindicato dos Funcionários da USP (responsável pela propaganda e divulgação no campus), o professor Osvaldo Coggiola (pela reserva do local da palestra), além do dirigente bolchevique e da tradutora. O professor Coggiola reservou o anfiteatro de História, onde se ficou sabendo minutos antes da palestra que estava agendado outro evento. Coggiola unilateralmente transferiu a palestra para uma sala de aula, deixando o anfiteatro para o outro evento, a divulgação das duas revistas revisionistas. O anfiteatro, que até então estava lotado, com mais de 250 pessoas, se esvaziou como num treinamento de evacuação. Enquanto que a ampla sala de aula se encolheu ante o número de interessados em acompanhar o dirigente bolchevique. O professor e as revistas conchavaram o retorno ao anfiteatro, mas a composição da mesa permaneceu a dos mesmos revisionistas e oportunistas.
Num segundo momento, abriram a palavra para 3 doutorandos venderem seus textos e, ao mesmo tempo, propagandear as revistas daquelas tendências tão funestas ao movimento operário internacional. Depois da palestra do comunista revolucionário, as revistas passaram a cantarolar suas elucubrações intelectualóide. A palavra foi impedida ao PCML e ao jornal INVERTA, que nesta altura já tinha conquistado seu devido lugar na mesa independente da vontade das revistas. E é precisamente estes dois setores que acusam Stálin de ditador! Mas, como não se pode impedir a plenária de fazer perguntas, foi o momento em que finalmente se abriu a possibilidade de denunciar a trama, apresentar os verdadeiros responsáveis para que todo o evento na Universidade fosse possível e demonstrar o caráter revolucionário do Partido Bolchevique, do PCML e do jornal INVERTA em oposição aos reformistas e oportunistas das duas revistas. Todos presentes reconheceram todo o trabalho organizativo do PCML e jornal INVERTA e a importância do debate em torno do dirigente bolchevique com prolongadas palmas.
Os revisionistas e oportunistas tentaram ainda uma terceira
manobra. Tomaram imediatamente a palavra depois do representante do PCML
e do jornal INVERTA em São Paulo para justificar seu oportunismo
de propagandear as suas revistas revisionistas naquele debate. No entanto,
foram obrigados a acatar a reprovação dos seus próprios
alunos. Os estudantes intervieram várias vezes na retórica
dos oportunistas solicitando a mesa perguntar aos estudantes se eles estavam
ali por outro motivo senão o de escutar o dirigente bolchevique.
O interventor silenciou-se, e os revisionistas e oportunistas tiveram que
aceitar a reprovação com um terrível silêncio
dos seus alunos. Os interesses dos alunos estavam todos relacionados, através
de suas perguntas, às posições do comunista revolucionário.
O representante do PCML e do jornal INVERTA, Waldemiro, conseguiu também
que a histórica camarada Elisa Branco fizesse parte da mesa. (R.F.)
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