
Humildade LeninistaPrezado Sr. Marcelo Toledo.
Sr., tomamos conhecimento de sua crítica ao nosso Partido e ao seu Órgão Central, o Jornal INVERTA (Artigo abaixo). Para nós é deveras gratificante saber que, de alguma forma, o Sr. já nos teve como referência e pelo sentido de sua crítica, certamente, cedo ou tarde voltaremos a desempenhar este papel para o Sr. E, quem sabe, para dezenas, centenas e milhares de revolucionários e simpatizantes do socialismo proletário em nossa sociedade.
Em resposta à sua mensagem, gostaríamos de dizer humildemente que nossa crítica ao PCdoB é uma resposta à calúnia efetuada por este agrupamento partidário ao nosso Congresso de Refundação do Partido Comunista no Brasil, sob os princípios doutrinários do Marxismo-Leninismo, base teórica da qual o PCdoB se afastou. Portanto, o fato de termos escrito esta nota decorre, simplesmente, de uma defesa de acusações e calúnias assacadas contra nós. É claro que enquanto a nota do PCdoB existir, a nossa também existirá.
Com base no exposto, certamente, o Sr., que se diz já ter tido alguma referência em INVERTA, compreenderá que nossa atitude não é nada do que o Sr. considera “trotskismo”, mas uma conduta muito própria, ou se preferir, Leninista. Como é sabido, Lênin nunca deixou de defender o marxismo revolucionário dos seus detratores, em especial do revisionismo, tanto do direitismo - doença senil -; quanto do esquerdismo - doença infantil.Tendo em vista estes fatos, seria de bom senso supor que a única forma de estarmos acometidos da doença infantil (esquerdismo) ou de preconceitos (sectarismo) é se nossos fundamentos críticos estivessem incorretos. Se concordarmos nisso, então se pergunta: onde está escrito na Obra de Marx, Engels, Lênin ou Stalin, que a tática eleitoral é o único caminho para se chegar ao socialismo proletário? Ou mesmo que este é o caminho principal? Se concordarmos aqui também, que tal proposição não existe na Obra de Marx, Engels, Lênin, Stalin..., então chegamos a conclusão que esta definição tática é uma burla ao marxismo revolucionário, ou marxismo-leninismo, o que significa revisionismo. Bom se concordarmos aqui também, então não há como escapar desta mecânica dialética: os partidos que pregam esta tática são revisionistas. E se é assim, então o PDT, PT, PC do B, PSTU e PCO - todos, claramente adeptos desta tática, são revisionistas (independente se autodenominam-se sociais-democratas, democrata-cristãos, trotskistas ou leninistas).
Assim, meu Caro Sr., tire suas conclusões; e se não acredita no que falo, então leia as resoluções destes partidos e verá qual o caminho tático que eles apontam para o proletariado chegar ao poder e implantar o socialismo no Brasil, sem entrarmos no mérito do tipo de socialismo que desejam implantar, que no caso do PCdoB é o “Socialismo de Mercado”. Mas se tudo isso não faz o Sr. pensar melhor acerca de sua crítica à nossa conduta, então o que podemos fazer? Ninguém é obrigado a seguir o mesmo caminho se não concordam, em princípio, aonde vão chegar por este, ou se pelo contrário, se este não conduz ao local onde se quer chegar. Aqui a “Fábula de Grilov”, citada por Lênin em “Que Fazer?” É algo que, admitamos, é política e revolucionariamente correto.
Quanto ao mecanicismo, acho que o camarada tem razão. Ainda somos muito mecânicos e inflexíveis quando observamos um Partido que se forma a partir de uma cisão, como foi o caso do PCdoB, e cujo fundamento era, ao nosso ver, muito correto: o desvio do PCB para o revisionismo de Krushev - “Coexistência Pac ífica” e a tese do “Fim da Luta de Classes” e outras barbaridades. Mas o que nos surpreende é que o caminho de ruptura é a tática da luta armada - “guerra popular prolongada” (concepção maoísta) - que leva à tentativa, essa sim mecânica, de desencadear a guerrilha no país, cujo desfecho foi a perda de quadros valorosos, como Maurício Grabois, Osvaldão e tantos outros, que hoje tanto fazem falta ao processo revolucionário nacional. Mas não foi somente isso. Os golpes que o PCdoB receberia, por sustentar inicialmente esta posição, no plano nacional, levariam a perdas de mais quadros valorosos, como Pedro Pomar, Ângelo Arroio, etc. E é justamente este processo que, por mais paradoxal que pareça, fará o PCdoB viver o mesmo processo que tanto criticou na URSS: o oportunismo e o revisionismo.
A direção que continuou no PCdoB, para se esquivar de sua responsabilidade pelo fracasso da Guerrilha do Araguaia, tratou de se esconder atrás do biombo criado pelo PTA (Partido do Trabalho da Albânia) e do seu Líder Enver Hoxa, uma nova cisão no movimento comunista internacional, dividindo os partidos que a partir do XX Congresso do PCUS haviam se alinhado com o PCC (Partido Comunista Chinês). O PCdoB então, do dia para noite, abandonou o maoísmo e mergulhou no albanismo. Com isto se livrava também da carga que representava defender os mercenários de Savimbi que lutavam contra a independência de Angola.
Mas, se tudo isso não é o suficiente para se afirmar que o PCdoB se afastou de suas origens - uma cisão em oposição ao revisionismo de Krushev que dominou o PCB e seu Líder máximo, Luiz Carlos Prestes, como o Sr. afirma e nós reafirmamos também - então o que mais poderíamos dizer dentro de nossa mecânica de pensar? Apenas que um Partido que não faz autocrítica, em função da sua “dialética” de camaleão, não merece ser tratado como Partido Revolucionário; que um Partido que não é capaz de fazer uma análise científica de sua derrota é um partido embusteiro.
Mas, existe uma razão mecânica ainda mais grave para nós, ou seja, a que decorreu da perda dos quadros históricos da dissidência do PCdoB - Maurício Grabois, Pedro Pomar, Ângelo Arroio, Diógenes Arruda, etc. -, que é a substituição destes quadros pelos que foram assimilados pelo PCdoB, na medida que se distanciava de suas posições ideológicas de origem, os ex-integrantes da Ação Popular, Aldo Rabelo, Haroldo de Lima, etc. - um grupo que se originou na Igreja Católica do qual pertenceram Herbert de Souza (Betinho); José Serra; Serjão; (do governo FHC). Neste sentido, por mais força que se faça, não conseguimos nos desprender da mecânica. Para nós, avaliando todo o movimento histórico do PCdoB, da Guerrilha do Araguaia à tática eleitoral e ao socialismo de mercado, somente uma idéia nos vem à cabeça: “Tão longe do Araguaia e tão perto de FHC”.
Por último, Sr. ex-referente em INVERTA, há uma questão fundamental para nós e da qual não abrimos mão: trata-se de se diferenciar o valor moral, heroísmo, coragem e caráter de um personagem histórico, da correção ou não de seus ideais. É por isso que, mesmo discordando de tantos camaradas que se bateram em armas contra a ditadura, não podemos deixar de reconhecer o seu valor. Por isso, os Mártires do Araguaia como todos que, ao longo da luta revolucionária em nosso país caíram ou se mantiveram coerentes sempre, ocupam lugar de destaque em nossos corações e mentes. Mas, no caso de Prestes, a questão é ainda mais relevante, pois, ele além de se manter coerente ao longo de sua vida, mesmo se sacrificando pessoalmente em detrimento dos ideais revolucionários, teve a humildade revolucionária de reconhecer seus erros, como líder maior do PCB, e buscar uma explicação científica para eles, como se comprova em sua “Carta aos Comunistas”. E foi justamente este gesto que o fez nossa referência revolucionária e humana... Prestes nunca fugiu à Luta...
Portanto, que fique certo Sr. Marcelo Toledo, que nossa resposta ao PCdoB ”Apista” nada tem de calunioso ou esquerdista e muito menos uma posição infantil. Ao contrário, ela passa por esta humilde reflexão, que, como o Sr. diz, é mecânica, e tão mecânica que acredita que somente a “prática é critério de verdade”. E neste caso, não se pode deixar de concluir que se isto é uma verdade quase axiomática no marxismo-leninismo, então a tese de que o “PCML não é nada” está completamente furada, já que seria uma completa perda de tempo o PCdoB lançar uma nota difamatória e caluniadora de nosso Congresso e de nosso partido; e mais ainda o Sr. que apesar da nota do PCdoB, continua lutando contra o nada e inclusive admite que “...o PCML poderia contribuir...”. Nestes termos Sr., pergunta-se, humildemente: “por que chutar cachorro morto?”. Nunca pensei que a dialética fosse tão mecânica, quase chego a pensar que ela é um reflexo inteligente da realidade objetiva no cérebro humano; o problema é saber até que ponto esta subjetividade é ou não objetiva. Sendo assim, ao contrário da arrogância trotskista, preferimos a humildade leninista...
Viva o Partido Comunista Marxista Leninista!
Viva Marx, Engels, Lênin e Stalin e Prestes!
Viva a Revolução Proletária e Socialista no Brasil!
Abaixo o revisionismo!P. I. Bvilla (p/ OC do PCML)
Arrogância trotskista
Tinha alguma referência no jornal INVERTA até ler a “resposta ao PC do B”. A presença prolongada desse texto no site só tem um significado: caluniar e agredir aquele que, ao PCML, pode parecer seu principal adversário. Me espanta considerações preconceituosas sobre quadros do Comitê Central do PC do B que foram ligados à AP só porque há outras pessoas que também foram da AP e hoje estão no governo FHC.
Com essa comparação ridícula, o PCML só reforça o seu mecanicismo. Entretanto o que mais me surpreende é o exercício da tática trotskista. Se olharmos as publicações de organizações trotskistas, como a LBI, o PSTU ou o PCO, veremos nelas única e exclusivamente o ataque gratuito e debochado de uma facção sobre a outra. E o PCML está se comportando exatamente como se comportam os trotskistas.
O PCML, que classifica o PCB e o PCdoB de revisionistas, disfarça e encobre que seu factício Luís Carlos Prestes foi o maior revisionista e capitulador diante da ditadura e da burguesia. Foi defensor árduo da “coexistência pacífica” de Krushev, foi o grande herdeiro do XX Congresso do PCUS no Bra-sil. Ao contrário dos trotskistas, os leninistas se caracterizam pela busca da unidade. Com o incentivo que o PCML dá ao fracionamento e à difusão de calúnias está tão somente mostrando sua verdadeira fisionomia: é uma organização trotskista enrustida. Ao invés de ficar tentando competir com o PCB ou o PCdoB, o PCML precisa mostrar que é realmente leninista e construir referência na massa, porque, sinceramente, hoje, o PCML não é nada.Apesar das provocações, quando o PCML superar sua doença infantil do esquerdismo, acredito que, pela qualidade de muitas formulações, poderá contribuir para a unificação do movimento comunista do Brasil. Enquanto isso, ficará aí, mergulhado na contra-revolucionária tática trotskista do ”vanguardismo”, do fracionamento e das calúnias despropositadas. Amadureçam, camaradas!Marcelo Toledo
Ambos os artigos publicado no Jornal INVERTA 264 (de 13 a 19/09/00)
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