Declaração do Comitê Central do Partido
Comunista dos Bolcheviques da União
A respeito da catástrofe do submarino atômico “K-141” (“Kursk”) no mar de Barents, ocorrida a 12 de agosto de 2000

O Partido Comunista dos Bolcheviques da União e seu Comitê Central expressam seu mais profundo e sincero pesar aos familiares e parentes próximos da equipe do submarino atômico “K-141” (Kursk), que afundou tragicamente nas águas do Mar de Barents.
Uma enorme desgraça se abateu sobre os familiares dos marinheiros do submarino.
Nenhuma compensação nem as promessas despejadas em abundância pelos governantes (e menos ainda a ridícula subvenção) poderão devolver ao seio de suas famílias os pais, maridos e filhos mortos.
A catástrofe ocorrida deixou clara toda a podridão da contra-revolução e seu regime, que provisoriamente venceu no país, sendo a verdadeira causa de que foi vítima o submarino, um dos mais modernos submarinos atômicos, se deve atribuir exatamente a isso. Estamos assistindo ao resultado de uma persistente destruição das Forças Armadas construídas pela potência militar da União Soviética nesses últimos anos.
Ao longo desta última década da decantada “democratização”, o Serviço de Emergência e Socorro (SES) da Frota foi extinto por completo e aqueles sistemas de resgate que há não mais de 10/15 anos eram capazes de solucionar casos mais complexos em profundidades de 400 metros (e não de apenas 100) já não existem. Em lugar do SES da Frota, o governo montou igrejinhas e capelas junto às guarnições dos marinheiros e, assim, as missas substituem os treinamentos das tropas pela sobrevivência. A base material e técnica da Frota foi aniquilada, as fábricas e estaleiros de reparos foram vítimas de roubo e entraram em colapso, desaparecendo, assim, os locais onde antes as unidades marítimas passavam por revisões e reparos, nos intervalos entre saídas ao mar. Entretanto, as mansões dos “novos ricos russos” florescem nas praias do Mar Mediterrâneo como cogumelos depois da chuva. Enquanto engordam no exterior as contas da oligarquia no poder às custas do nosso petróleo e gás, roubados do país e do povo russo, nossos navios não podem zarpar para cumprir suas tarefas devido à falta de combustível (diesel). Ao mesmo tempo, os marinheiros e suas famílias passam grandes dificuldades para sobreviver em suas guarnições pela falta de gás e outras formas de combustível. E, ainda muito e muito mais...
A própria maneira como foram desenvolvidos os trabalhos de resgate demonstrou não apenas a incompetência dos comandantes da Frota e do Ministério da Defesa, mas também a tentativa de ocultar o verdadeiro motivo da catástrofe. Dá a nítida impressão de que o esforço maior estava sendo dirigido não para salvar a equipe que estava morrendo nos compartimentos do submarino “Kursk”, mas para preservar seus postos e patentes.
E assim continuará adiante enquanto subsistir o regime que galgou o poder com a ajuda da traição, regime que lançou nosso povo numa vida de sobrevivência na miséria e escravidão. E assim continuará enquanto cada marinheiro, soldado, oficial, enfim, cada cidadão não recobrar a lembrança de que país eles nasceram, enquanto não tomar consciência da profundidade de sua decaída, levantar de seu servilismo e dizer a esse regime antipopular um enorme “Não!”.
Uma vez mais reiteramos nossos sentimentos de profundas condolências às famílias e parentes dos marinheiros tragicamente perecidos!

Leningrado (e não São Petersburgo),
28 de agosto de 2000.

Enviado de Moscou por Alexander Barychev
Tradução Alla Dib
Revisão José Safrany

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