As Resoluções do 
Encontro Antiimperialista 

De Seattle a San Vicente Caguan
avança a rebeldia contra a globalização


EM ASSISI, NOSSO CAMPO ANTIIMPERIALISTA DÁ SEU PRIMEIRO PASSO!
Nossa preocupação coletiva nos levou a Assisi, porque a história está avançando numa velocidade preo-cupante. Com a globalização, os Estados capitalistas se uniram numa aliança estreita sob asas protetoras dos EUA e seus braços armados, a OTAN e conseguiram golpear fortemente todas as forças que se opõem a seu comando único. Mas, as velhas contradições profundas seguem agu-dizando-se enquanto que outras novas não param de surgir. Quanto mais estende seu controle e quanto mais desenvolve suas forças produtivas, menos pode satisfazer as necessidades elementares  da grande maioria dos seres humanos e chega a ameaçar as bases da civilização. Se na periferia dos centros do império as grandes maiorias populares sofrem a fome, nos países “ricos” surgem velhas e novas misérias e crescem a opressão e a alienação que implica o modelo consumista. Dez anos de neocapitalismo na Europa do Leste e na URSS só trouxe pobreza e desesperança a milhões de seres humanos. Agora estas nações se encontram mais atrasadas no que diz respeito ao progresso social. O mundo não vive na paz e é mais instável do que nunca. Nem os governos imperialistas dos EUA nem da Europa sabem para onde caminha o mundo.

Convocando os opositores in-claudicáveis contra a globalização em Assisi recolhemos o grito de rebeldia de Seattle que se estendeu pelo Ocidente. Isto nos anuncia o fim da “belle epoque”, apesar de seus possíveis limites. Os cantos da sereia do Capital sobre o “melhor mundo possível”, que adormeceu as massas são derrubados. A passividade alienada terminou abrindo novamente as portas à rebeldia, não apenas nos países semicoloniais onde a chama da revolução nunca se apagou apesar de todas as dificuldades, mas também no coração dos países imperialistas. Se bem que o movimento operário tradicional pareça estar num estado de paralisia, aparecem novos atores que são o produto das contradições da globalização e, plenos de paixão política pela sorte da humanidade e um instinto anticapitalista se lançam à luta.

Em Assisi, muitas organizações internacionais manifestaram sua oposição coletiva contra a globalização capitalista. Os que podiam participar com sua delegação e os muitos que só nos poderam manifestar seu apoio e solidariedade na distância, demos um primeiro passo para construir uma rede dos antiimperialistas contra o totalitarismo da globalização para:

- lutar contra o intervencionismo e o militarismo imperialistas, denunciando os novos exércitos professionais, o paramilitarismo, as guerras de baixa intensidade e a militarização. Desde Assisi, chamamos a lutar contra a OTAN, contra todos os outros instrumentos político-militares da dominação imperialista contra os  governos agentes da globalização imperialista em todos os países.

- Exigir a liberdade de todos os presos políticos: para não deixar somente os melhores lutadores do povo que são presos por regimes anti-democráticos e fascistas que querem fazer calar os protestos do povo. Com a repressão policial, militar e a restrição dos direitos elementares dos cidadãos e dos homens. De Assisi nos coordenamos para levar a cabo todas as formas de iniciativa solidária com todos os prisioneiros políticos para conseguir sua liberdade e derrubar todas aquelas leis repressivas que agem contra o protesto popular.

- A solidariedade com todas as lutas de libertação dos povos: porque todos os povos e movimentos que lutem consequentemente contra o imperialismo merecem nosso apoio. Deixar a luta em troca de promessas e acordos de papel, não tem solucionado nenhum dos problemas que levaram os povos a levantar-se. Os anti-imperialistas revolucionários respeitamos as diferentes bandeiras de luta dos povos e nos opomos as propagandas “humanitárias” de engano imperialista. Desde Assisi propusemos uma moção de solidariedade que rompe simbolicamente o embargo contra a Iugoslávia em resposta aos bloqueios de fome contra os povos iugoslavos, iraquiano, cubano e outros que não se submetem a nova ordem mundial.

- Forjar a solidariedade interna-cionalista para ligar as lutas do ocidente com as lutas nos países oprimidos. A união das lutas populares revolucionárias nos países oprimidos do “terceiro mundo”, junto às lutas de libertação nacional e social das nações oprimidas da Europa, a luta social operária, a luta das mulheres e de todas as formas de luta que se refletiram no protesto de Seattle  podem criar o contrapoder popular internacional necessário para acabar com o império da injustiça. No espírito de nosso lema “De Seattle a San Vicente Caguan” chamamos que hoje se apoie com toda a força o poder popular conquistado na Colômbia contra os atropelos militaristas e intervencionistas do imperialismo.

- Para vencer a ditadura dos meios de desinformação e do controle informático internacional do Echelon. De Assisi propusemos construir nossa própria rede alternativa de comunicação antiimperialista.
- Denunciar a destruição do meio ambiente para parar as novas teconologias destrutivas porque não pode existir a humanidade, homens e mulheres, em um meio ambiente destruído. Mas só uma humanidade liberada pode parar a destruição do meio ambiente. De Assisi damos nossa contribuição aos camponeses, povos indígenas e movimentos que lutam contra as multinacionais e as instituições da globalização (OMC, FMI, Banco Mundial) que exploram os homens e a natureza.

- De Assisi chamamos a todos os antiimperialistas a unirem-se a nossa rede antiimperialista surgida do Encontro Antiimperialista 2000 que está dando seus primeiros passos. Vale a pena seguir esse caminho com paciência e compromisso disciplinado para que nossa coordenação e internacionalista se construa sobre bases sólidas e cada vez mais amplas.

Nossa rede aberta antiimperialista inicia seu trabalho unitário:

1) Trazendo a público contribuições, propostas e debates do Encontro de Assisi através de nossa página na Internet e em forma de um livro que juntos divulgamos em nível internacional através das organizações da rede antiimperialista.

2) Desenvolvendo nossa página na internet (www.antiimperialista .com) como instrumento de intercâmbio, debate e mobilização permanente entre as forças antiimperialistas.

3) Promovendo juntos o próximo Encontro Antiimperialista de 2001 para que a cada ano este encontro internacional unitário tenha um impacto maior contra a globalização capitalista.

Assisi, 5 de Agosto de 2000

AFAP-Associação de Familiares e Amigos dos Presos Políticos (Espanha); CLI Corrente Leninista Internacional (Austria e Itália); Cerdena Nação;  Confederação de Comunistas Sardos; DHKC, Frente Revolucionária de Libertação Popular (Turquia/Kurdistão); Fidelidade aos Homens e a Terra (Palestina-Libano); Grupo Estudantil Enragé (Turingia, Alemanha); IDP- Esquerda Democrática Popular (México); IF, Foro Internacional, Grupo Médio Oriente (Dinamarca); JVP, Frente de Liberação Popular (Sri Lanka); Liga Comunista Revolucionária (Turingia, Alemanha); Movimento Obrero (Iugoslávia); Movimento Proletário Independente (México); Roter Tisch (Turingia, Alemanha); Socorro Obrero (El Salvador, USA)

Corrente Leninista Internacional



Texto traduzido e publicado no Jornal INVERTA nº 259 (de 09 a 15/08/00)

 
(Jornal INVERTA
(PCML)
(Inverta Cooperativa)


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