Uma expectativa enorme se formou ante às eleições
municipais no Brasil, tendo em vista o governo de Lula e aliados; da
mesma forma, mas em dimensão superior, formaram-se expectativas
frente às eleições presidenciais nos EUA, pois
aí estava em jogo não menos que o comando da política
mundial do sistema capitalista da atualidade. Deste modo, compreender
as tendências mais gerais em termos nacionais e internacionais,
suas conexões e contradições, torna-se um exercício
absolutamente necessário e imprescindível aos que lutam
e resistem ao capitalismo e ao imperialismo, em todos os campos. Neste
sentido, buscando contribuir com o debate sobre esta conjuntura e a
direção política que deve adotar a luta revolucionária
em nosso país, em especial, o conjunto de comunistas revolucionários
que atuam em torno do INVERTA, apresentamos aqui algumas considerações
sobre o resultado eleitoral nos dois países e a conjuntura aberta
por estes eventos.
Quando publicamos, neste mesmo espaço editorial, nossas considerações
sobre o futuro governo Lula, enunciamos as contradições
econômicas, sociais e políticas que se apresentariam sobre
ele e indicamos que elas poderiam dar base à unidade na luta
das organizações comunistas e revolucionárias apoiada
numa “Plataforma Comunista”, um programa revolucionário
de lutas comuns. E antes de seguirmos em frente nesta análise,
mais uma vez, temos que registrar que não constituímos
forças suficientes para levar este debate a todos os agrupamentos,
e embora nossas idéias e opiniões sejam de conhecimento
público isto não é o suficiente diante da conjuntura
polarizada pelo processo eleitoral burguês, para que ele se estabeleça
como tema principal de reuniões e debates entre a maioria dos
agrupamentos revolucionários no país. Naturalmente, tivemos
iniciativas significativas, como o lançamento do documento “Plataforma
Comunista” ainda durante a campanha do Governo Lula, no Rio de
Janeiro e em São Paulo; a realização do I e II
Seminário Nacional de Luta Contra o Neoliberalismo, mas, convenhamos,
não foram suficientes. Contudo, diante do resultado das eleições
municipais no Brasil e da reeleição de Bush, nos EUA,
abre-se novamente a possibilidade de avançarmos neste sentido
da unidade da luta revolucionária no Brasil e na América
Latina.
O governo Lula, como já afirmamos em outros trabalhos, foi eleito
na esteira de uma contratendência geral à grande ofensiva
das oligarquias financeiras dos EUA, que voltava a carga sobre a classe
operária, mundialmente, diante do recrudescimento da crise geral
do capital (pela manifestação da Lei Geral da Acumulação
Capitalista) que se passava do plano econômico-financeiro ao plano
político e revolucionário, como é possível
comprovar pelo ressurgimento da luta operária, camponesa e juventude,
no mundo inteiro, em especial, nos centros imperialistas. Desde as manifestações
de Seattle contra a OMC (Organização Mundial do Comércio)
que pretendia aprovar o AMI (Acordo Multilateral de Investimentos);
passando pelas manifestações contra o Fórum de
Davos (Fórum Econômico Mundial) realizado pelo FMI (Fundo
Monetário Internacional), e a construção do Fórum
Mundial (alternativo); as manifestações contra a ALCA
(Área de Livre Comércio das Américas), na Argentina,
chegando ao limiar da sublevação popular; até as
manifestações contra a reunião do G-7 (Reunião
das 7 maiores potências mundiais, atualmente 8 países),
que chegou ao sacrifício da vida do jovem Carlo Giuliani, em
Gênova, esta grande contratendência à ofensiva neoliberal
do capital, visivelmente, inclinava-se para tomar a cena histórica
em todos os cantos do mundo, somando-se à luta de resistência
dos países socialistas, em especial Cuba e Coréia do Norte,
e aos processos revolucionários como o que vive a Colômbia,
e outros países.
Mas, esta contratendência geral, sob forma de luta direta contra
o capital financeiro, não foi apenas a responsável pela
eleição de Lula no Brasil, ela também, dois anos
antes, foi responsável pelo golpe eleitoral de G. W. Bush, nos
EUA. O golpe, visível ao mundo inteiro, se por um lado expressou
a reação das oligarquias financeiras à crise do
capital, largamente sentida no país como revelam a baixa geral
das taxas de juros e o tombo das bolsas de valores (quase um terço
de toda a riqueza monetária mundial foi torrada e virou cinza),
por outro lado, foi um golpe a “la Dezoito Brumário”,
que veio como solução à ameaça externa à
acumulação de capital (a resistência dos países
árabes e socialistas, a criação do Euro), foi,
sobretudo, uma reação à “ameaça vermelha”
que voltava com toda a força, mesmo depois da queda do campo
socialista do Leste Europeu e da URSS, para se interpor à estratégia
global americana. As duas direções principais seguidas
pela Casa Branca, a partir do governo Bush Jr, foram: guerra e reeleição.
Fatos que embalam as idéias que associam “fraude eleitoral”
e “guerra contra o terror” como partes de um mesmo plano
golpista: a eleição decidida na Suprema Côrte (acobertando
a fraude eleitoral na Flórida, estado americano em que o irmão
de Bush tinha o controle político em aliança com a máfia
cubano-americana) e o ataque ao World Trade Center e Pentágono,
que levou ao processo de legitimação do golpe eleitoral,
tanto pelo terror de Estado (interno, caça às bruxas e
perseguição à oposição), quanto pelo
combate ao terror (externo, as guerras contra Afeganistão e Iraque).
A estratégia global das oligarquias financeiras norte-americanas
consiste em manter sua hegemonia econômica e financeira sob o
mundo, através da hegemonia militar dos EUA, que diante do desaparecimento
da URSS e do Pacto de Varsóvia tornou-se um poder unipolar. Nestes
termos, suas ações avançaram sobre os recursos
econômicos e geopolíticos estratégicos (logística)
e para o desarmamento dos potenciais inimigos ou potenciais aliados
de seus reais inimigos: União Européia, Rússia,
China. Daí decorre a luta pelo controle das fontes de petróleo,
biodiversidade, mananciais de água potável, cereais e
tecnologia militar, em especial a tecnologia nuclear, elementos bastante
óbvios para qualquer planejamento estratégico em torno
de objetivos gerais e subjacentes, tais como: garantir a transição
do padrão industrial dos EUA, da matriz energética do
petróleo, matéria orgânica esgotável e que
tende a elevar os custos de produção tornando sua economia
vulnerável, para uma nova matriz energética menos crítica.
A escassez do Petróleo e controle monopólico das suas
fontes é um fato que interpõe, diretamente, os países
do Oriente Médio e a OPEP (Organização dos Países
Exportadores de Petróleo) ao caminho da transição
do padrão industrial americano e divide o monopólio do
Petróleo mundial das 7 irmãs (Esso, Texaco, Móbil,
Shell, British Petrolium, Graxxo etc). Mas, não é somente
o Afeganistão, Iraque, Síria, Palestina, que se interpuseram
ao caminho para o Cáucaso (onde foi descoberta a maior jazida
de Petróleo e gás natural) e à acumulação
de capital nos EUA, a partir do domínio sobre a Eurásia
(me refiro aqui à geopolítica de domínio mundial);
também se interpuseram a este processo os países da América
Latina, onde a geografia do Estado é imensa em mananciais de
água potável e biodiversidade e terras cultiváveis,
como é o caso dos países que compõem a Floresta
Amazônica (biodiversidade), a bacia do Prata e Amazonas (maior
manancial de água potável do mundo) e região de
maior extensão de terras cultiváveis do planeta.
Na América Latina a reação das massas operárias
e populares diante da crise do capital e da sangria neoliberal foi além
das manifestações e rebeliões populares sem direção
revolucionária; nela a revolução socialista em
Cuba avançou com a revolução Bolivariana, na Venezuela,
e a luta guerrilheira das FARC-EP e ELN na Colômbia, que está
a um passo de obter vitória total sobre as oligarquias-narcotraficantes
que controlam historicamente o governo e o país. Além
disso, a mudança de forças dirigentes, com a queda do
poder das velhas oligarquias, em todo o continente, elevou um certo
tom nacionalista em resistência às políticas neoliberais,
como se pode observar com a eleição de Lula, no Brasil;
Kirchner, na Argentina, entre outros. Por outro lado, a queda de regimes
como o de Fujimori, no Peru, Hugo Banzer, na Bolívia, Pinochet,
no Chile, e de Mahuad no Equador, reitera sobejamente a idéia
da grande contratendência mundial, em oposição à
tendência principal de guerra e terror protagonizada pelas oligarquias
dos EUA, diante da crise do capital. E neste contexto, é importante
observar as contradições presentes nos dois movimentos
realizados pelos EUA em função da estratégia global:
por um lado, a ação militar no Afeganistão e Iraque
em decorrência do impasse que aí se formou; por outro lado,
o fracasso do Plano Colômbia e o impasse entre a ALCA e o MERCOSUL,
após as mudanças de governo no Brasil, Argentina e agora
Uruguai. No primeiro, a resistência à invasão americana
se mantém apesar da derrota militar, em termos da guerra regular
dos dois países. Com este fato, Bush, literalmente, conduziu
os EUA a um atoleiro “a la inverno russo” em pleno Saara,
relembrando os erros crassos de estratégia militar de Napoleão,
Hitler e Macknamara, imagens como a resistência em Stalingrado
à invasão nazista da Rússia e do Vietnã,
são associações comuns à imagem da resistência
no Iraque.
No segundo, o Plano Colômbia, que recebeu dos EUA mais de 7 bilhões
de dólares para compra de armamentos e mercenários para
lutarem pelo controle da Amazônia, não foi capaz de ir
além de um instrumento eleitoreiro do governo Uribe contra a
guerrilha das FARC-EP e do ELN. Em conseqüência, ao contrário
de acabar com o narcotráfico deu-lhe estado oficial, ele é
feito inclusive por navios oficiais da Marinha de guerra do país;
e no que se refere ao movimento revolucionário, o que aconteceu
foi o avanço da luta que está a um passo da vitória
total. As FARC-EP já combinam abertamente ações
de massas e guerrilheiras nos centros urbanos mais importantes, como
comprovam a grande marcha operário-camponesa-estudantil, contra
o governo de Uribe, além da greve geral vivida pelo país,
trazendo a classe operária para o centro da luta revolucionária,
na própria capital do país, Bogotá. É claro
que a tentativa de golpe contra Hugo Chávez e a Revolução
Bolivariana, na Venezuela, as provocações feitas pelos
diplomatas do México e do Peru contra a Revolução
cubana e Fidel Castro, também são partes de um mesmo plano
que visa a recolonização da América Latina, para
transformá-la num celeiro de suprimento de matérias-primas,
produtos primários e mercado de consumo monopolizado, como fica
evidente nas regras de criação da ALCA, e a forma impositiva
com que os diplomatas e homens de negócio americanos tratam as
autoridades latino-americanas. Portanto, considerando estes dois movimentos
dos EUA, tudo indica que ele investirá com mais determinação
sobre seus objetivos na América Latina em torno da idéia
da ALCA, e para isso se apoiará na escatologia da luta contra
o narcotráfico para avançar seu Plano Colômbia para
“Plano Colombo”; que em termos geopolíticos nada
mais é que garantir os dois extremos insulares da Patagônia
ao Rio Grande, portanto, um desdobramento catastrófico para a
América Latina em geral e para o Brasil em particular.
É importante considerar o Brasil neste contexto, dada a sua posição
quase natural no centro do furacão, que representará uma
eventual ação militar dos EUA na América Latina.
Devido às condições geográficas e políticas,
detém a maior parte da Floresta Amazônica, do manancial
de água potável, da extensão territorial cultivável
e da maior economia e mercado de consumo regional, logo desempenha um
papel de liderança natural sobre o MERCOSUL (Mercado do Cone
Sul). Do ponto de vista político, o resultado das eleições
municipais, ao contrário da esperada grande vitória do
governo Lula, o que assistimos foi uma certa recuperação
do PSDB, firmando-se como oposição principal ao governo,
e cuja tendência política é o enquadramento automático
ao processo de globalização neoliberal dos EUA, como bem
demonstraram os 8 anos de governo FHC. O PT, embora tenha avançado
em vários estados e capitais, como demonstra sua vitória
estonteante em Belo Horizonte e Fortaleza, na prática, em termos
de força política nacional, o que vimos foi incapacidade
de sustentar suas duas principais conquistas: Porto Alegre e São
Paulo, indicando um rápido desgaste do próprio governo
central. A eleição de Lula e aliados para o governo federal,
como enunciamos, mais que se apoiar na esteira da contratendência
mundial à grande ofensiva neoliberal do capital, também
respondeu a uma contradição histórica do desenvolvimento
capitalista no Brasil, dada sua singular trajetória de passagem
de um regime escravista direto para o capitalismo, através de
relações sociais de transição que simulam
estruturas feudais e faziam a simbiose do monopólio da terra
com o monopólio do capital industrial, comercial e financeiro.
Logo, a preservação do domínio oligárquico
através da metamorfose do latifundiário em burguês,
herdou também as relações de dependência
econômica e deformações da estrutura social, levando
rapidamente ao esgotamento da acumulação de capital nas
condições monopólicas de produção.
Com o golpe de 1964, este processo se acentuou levando à associação
subordinada do capital nacional ao capital financeiro internacional
e ao impasse da condição subimperialista no continente.
Daí deriva o novo processo de crise vivida pelo Brasil e que
levou à ditadura militar de roldão e trouxe o atual período
de governos civis e planos de reestruturação econômicos
ditados pelo FMI: Plano Cruzado, Plano Verão, Plano Collor, Plano
Real e etc. Esta receita neoliberal, não somente transformaram
as conquistas nacionais, decorrentes da luta do povo, em mercadoria
de baixo custo para as oligarquias financeiras internacionais, que trocavam
seus títulos podres da dívida pública e capital
fictício, gerando um rápido fluxo de capitais monetários
especulativos cujo objetivo era assumir a forma de capital produto (Estatais)
ou bem natural, como terras e fontes de matérias-primas. Este
movimento rapidamente se esgotou e o buraco estava à mostra de
todos. O Brasil não só vendeu-se, literalmente, como se
tornou uma pulga diante da baleia americana, do urso russo e do dragão
chinês; o MERCOSUL fremiu gemidos estertores e as massas do campo
e da cidade se puseram em movimentos que resultaram na divisão
das oligarquias com a fratura entre o PSDB, PMDB e PFL e a vitória
de Lula se tornou uma realidade desejada por todos. O Governo Lula se
pôs em três direções: pão e circo para
o povo (Fome Zero, Bolsa Escola, Comício de Lula e Show do Gilberto
Gil), acordos comerciais que abrissem mercado para as oligarquias burguesas
do país na África, Ásia, Oriente Médio,
Leste Europeu, e a reativação do MERCOSUL, como instrumento
de barganha junto à União Européia e Estados Unidos.
O Brasil, no primeiro ano de governo Lula, obteve crescimento no limiar
de zero, no segundo ano foi abaixo de zero, e o espetáculo do
crescimento de Lula foi se transformando no Show do Lula, até
chegarmos aos resultados atuais, em que uma tímida recuperação
da economia é apresentada como o retorno absoluto à nova
era de crescimento econômico.
No entanto, ao contrário do que esperava o governo, a propaganda
não colou muito, embora nesta primeira eleição
a esperança ainda tenha tido efeito em certas regiões,
onde só agora estão se libertando dos oligarcas históricos,
como é o caso da Bahia, tudo indica que nos principais centros
o processo tomará novo curso. No Rio de Janeiro, o PFL de César
Maia venceu no primeiro turno as eleições, o governo do
PMDB e do PT, ambos aliados no governo federal, foram sumariamente derrotados,
com maior prejuízo para o PMDB. Em São Paulo a derrota
de Marta Suplicy permitiu um certo sabor de vingança na vitória
de Serra para a prefeitura, após sua fragorosa derrota nas eleições
presidenciais; no Rio Grande do Sul, que era o espelho da administração
petista, a vitória de José Fogaça, transfigurado
de PPS, fez cair o mito da competência e honestidade da esquerda
petista. E assim, um novo quadro, na correlação de forças
interna do país, se apresenta como resultado das eleições.
E se nele, por um lado, não se configura uma derrota do PT, pois
do total das capitais elegeu o prefeito em 9, entre elas Belo Horizonte,
Fortaleza e Recife, como mais expressivas; por outro lado, com exceção
de São Paulo, sua derrota foi para aliados no governo, como no
caso de Porto Alegre, ou ainda estes obtiveram também vitórias
importantes como foi o caso do PSB, em Vitória e João
Pessoa. Assim, deste quadro, o que se observa é uma certa fragilização
do governo frente aos seus aliados e à oposição
das oligarquias históricas, o que indicará maior flexibilidade
tanto no processo de negociação da ALCA e sobretudo, em
relação às mudanças estruturais necessárias
à economia, como a reforma agrária e urbana. Além
disso, o alinhamento às imposições do FMI e à
autonomia do Banco Central, como demonstrou a elevação
recente da taxa de Juros. Há que se reportar também aqui
à mudança do Ministério da Defesa e a crise aberta
com a exibição das fotos de Vladimir Herzog, antes e após
sessão de tortura e morte, nos porões do DOI-CODI, mas
aqui é necessária uma análise mais em pormenor,
o que se pode compreender em geral deste fato é que começou
uma nova recomposição ministerial como resultado do processo
eleitoral no país e nos EUA, e a nomeação do vice-presidente,
José de Alencar, não mais é que uma tentativa de
colocar uma tendência nacionalista na direção do
ministério, capaz de se compor com os remanescentes dos porões
da ditadura; aonde isso vai dar...
Finalmente, voltando à cena mundial, muita gente não compreende
como George Bush (Jr) conseguiu se reeleger, e desta vez, aparentemente,
sem fraude, pelo menos é o que transparece da atitude dos democratas
que reconheceram oficialmente a derrota, sem sequer um senão.
Mesmo o imbatível Michael Moore, que em e-mail enviado à
sua lista de contatos contendo suas primeiras impressões do processo,
limitou-se a enumerar nomes das vítimas americanas das guerras
de Bush. Isto é, reconhece a derrota e faz a crítica dos
mortos da qual se deduz a seguinte pergunta: “quantos mais?”
Certamente, um fator quase imensurável e que explica em parte
a vitória de Bush, ou pelo menos encobriria uma fraude bem mais
elaborada e aparentemente imperceptível, mas não impalpável,
provavelmente, é o efeito do terror de Estado, apoiando-se na
luta contra o terrorismo sobre a população do país
mais rico do mundo (não interessa debater aqui natureza perniciosa
da acumulação primitiva neste), certamente a maior parte
das pessoas tendo muito a perder e com medo da miséria que cresce
a sua volta e invade-lhes os muros, brotando no seio dos núcleos
urbanos e rurais, é deveras impensável. Mas, existe ainda
um outro elemento e substrato da cobertura simbólica proporcionada
pela chantagem do terror e produção midiática da
qual Bush se serviu, com direito a Osama Bin Laden de cabo eleitoral,
é que nestas eleições, além de contar com
seu irmão na Flórida, seus quatro anos de governo lhe
proporcionou um exército, um truste de monopólios financeiros,
industrial farmacêutico, bélico, petrolífero, para
fraudar em toda parte, com ar de normalidade e confirmação
de popularidade ou do poder e terror de Estado. E assim, quem atolou
a maior potência do mundo num “inverno russo” no escaldante
deserto do Saara; quem mergulhou a maior potência do planeta em
cavernas tumbas em Tora-Bora; quem incendiou o terror de Sharon até
o genocídio total contra os palestinos; quem afogou a sede de
petróleo, mercados e ópio dos oligarcas burgueses no sangue
de vítimas inocentes é o mesmo que arrebata a paixão
do jovem fascista americano e europeu, do latino-americano renegado;
do africano-americano domesticado; dos comensais do poder e da gendarmería
policial.
O mundo ficou estarrecido diante do resultado eleitoral nos EUA, mas
a vitória de Bush não fez mais que reafirmar qual o aspecto
principal da luta de classes internacional, indicando o esgotamento
da política neoliberal como instrumento dinâmico da grande
ofensiva do capital, diante da sua crise geral, estrutural e cíclica,
e o paradigma geopolítico entre “a Baleia, o Urso e o Dragão”
de Halford Mackinder. Napoleão certa vez afirmou: “a geografia
de um Estado governa a sua Política” e ele mesmo foi vítima
de seu enunciado ao invadir a Rússia, quem sabe, ele desconhecesse
esta sentença do célebre escritor inglês William
Shakespeare: “The man that once did sell the lion’s skin
/ While the beast liv’d, was kill’d with hunting him”.
(Shakespeare, W. “Henry V”, act IV, scene III. In: Complete
Works. Londres: Oxford University Press, 1971, p. 491. [“O homem
que vendeu a pele de um leão ainda vivo acabou morrendo ao caçá-lo”]
). Contudo, o fato é que após esta formulação
de Napoleão, Clausewitz estendeu a compreensão desta formulação
à guerra definindo-a como “Política por outros meios”,
e desde então o pensamento estratégico jamais negligenciou
esta condição no pensar a guerra, e como nos ensinou Lênin,
não se pode deixar de aplicar estes conhecimentos na guerra de
classes, ou guerra revolucionária. Portanto, para nós
da América Latina, em especial do Brasil, isto é mais
que uma verdade teórica, é uma condição
histórica e revolucionária e exige um tratamento científico
e revolucionário. Quem desdenhou da geopolítica de Golbery,
por sua posição reacionária e anticomunista, deveria
ler este trabalho para compreender melhor nossa derrota; e dados da
realidade que não podem ser desconsiderados ao se pensar a revolução
no Brasil e na América Latina. Che Guevara disse, numa referência
à geopolítica no continente: “Para onde se inclina
o Brasil, se inclina toda a América Latina”!
Abaixo o imperialismo e seus planos de guerra e recolonização
da América Latina!
Abaixo Bush e seu plano de invasão da Amazônia e Bacia
do Prata!
Viva Cuba, Venezuela e a luta revolucionária em nosso continente!
Viva os 13 anos do Jornal Inverta!
Viva o Partido Comunista Marxista-Leninista (Brasil)!
Rio de Janeiro, 8 de novembro de 2004. P. I. Bvilla pelo OC do PCML
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Editor: Aluísio Beviláqua. Jornalista Responsável:
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Correspondentes em outros Estados: Francisco Malta (CE), José
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Roberto Figueiredo e Roberto Nogueira (SP), Sebastião Rodrigues
(MG), Neimar Oliveira (RS). Colaboraram neste número: Haroldo
de Moura, Helena Campos, Lucio Fernando, GTNM-SP, Carlos A.G.Brito,
Osmarina Portal, Paulo M.Campos, Marcelo Filippo. Colaborações
especiais:Prensa Latina/Venpres. Diagramação e composição:
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