O camarada e amigo Élio Bolsanello, autor do livro
Lênin: Biografia Ilustrada, nos escreveu uma carta de congratulação
pelo acordo Prensa Latina Inverta, na qual nos parabeniza pelo
evento e também registra uma dúvida em relação
à afirmação que atribuo a Prestes no editorial
número 375, O acordo Prensa Latina Inverta (II).
Eis o que nos escreveu nosso camarada:
Congratulo-me, inicialmente, com o acordo Prensa Latina - Inverta.
Parabéns pela formidável iniciativa. Em segundo lugar,
tão importante quanto o acordo mencionado, quero referir-me a
uma afirmação atribuída a Prestes que se encontra
em seu editorial do Inverta 375: 'A questão teorizava
Prestes é que a revolução socialista na
Rússia e no leste europeu foi de cima para baixo' ;...
Confesso, meu prezado camarada, que é a primeira vez que
vejo tal afirmativa atribuída ao Velho Líder. Não
há equívoco ou erro de interpretação, mesmo
erro gráfico aí, tendo em vista que até eu escrevi,
à pág. 74, da minha pequena Biografia Ilustrada de Lênin:
Entre a queda do Czar e a tomada do poder pelos bolcheviques (fevereiro
a outubro de 1917), a Rússia viveu uma revolução
social de baixo para cima sem precedentes na história da humanidade?
Na expectativa de uma palavra sua sobre, ...
Caro camarada Élio. Considero tão importante sua carta
e a questão nela suscitada que resolvi neste espaço do
editorial mesmo respondê-lo, na expectativa de esclarecer a você
e aos demais camaradas ou leitores que tenham estranhado as afirmações
contidas no editorial da edição passada de Inverta, que
são atribuídas por mim ao nosso querido e inesquecível
camarada, amigo e comandante Luis Carlos Prestes, ao qual tive a honra
e felicidade de conhecer, compartilhar de sua confiança e assistir
suas conferências, palestras e, sobretudo, reuniões circunspectas,
além de tecer conversas particulares, tanto em sua residência
na Rua das Acácias, Jardim Botânico, Zona Sul do Rio de
Janeiro, e no seu escritório, na Álvaro Alvim, Centro
do Rio; quanto em minha humilde residência, em Boa Esperança,
Miguel Couto, Belford Roxo, um dos locais considerados mais pobres e
violentos na famosa Baixada Fluminense. Aliás, esta
era uma das qualidades de Prestes que o fazia se destacar como gigante,
em generosidade, dignidade e idealismo revolucionário (moral),
por cima dos homens comuns e lutadores de seu tempo; capaz de debater
os destinos do mundo com os principais dirigentes internacionais e,
ao mesmo tempo, sentar-se junto ao mais humilde militante e defender
idéias, galvanizar convicções e infundir coragem
e determinação para a luta.
No entanto, a questão fundamental não é se a afirmação
a revolução socialista na Rússia foi de cima
para baixo é ou não de Prestes, mas, sobretudo se
ela é ou não verdadeira, na medida em que, em seu livro,
aparentemente afirma o oposto, como você mesmo diz: Não
há equívoco ou erro de interpretação, mesmo
erro gráfico aí, tendo em vista que até eu escrevi,
à pág. 74, da minha pequena Biografia Ilustrada de Lênin:
Entre a queda do Czar e a tomada do poder pelos bolcheviques (fevereiro
a outubro de 1917), a Rússia viveu uma revolução
social de baixo para cima sem precedentes na história da humanidade?.
Neste sentido, antes de passarmos a uma resposta ao problema suscitado,
relembremos o contexto em que surge minha afirmação atribuída
a Prestes:
O outro fator que nos levou à formação de
Inverta foi a grande ofensiva do capital sobre a classe operária,
que Prestes vinha constantemente denunciando, como resultado inexorável
da Crise do Capital devido à Lei Geral da Acumulação
Capitalista, e que provocava toda a convulsão no Leste
Europeu: Polônia, Hungria, Romênia, Tchecoslováquia,
Alemanha Oriental, etc; que para ele decorria da linha do PCUS e seu
líder máximo Mikhail Gorbatchev: a Perestroika e a Glasnost
(reestruturação e transparência): A questão
teorizava Prestes é que a revolução
socialista na Rússia e no Leste Europeu foi de cima para baixo;
agora, trata-se da revolução de baixo para cima.
Portanto, não se tratava de traição, mas de linha
do PCUS, de retorno ao leninismo. Nossa convicção
é que se Prestes estivesse vivo agora, mediante o desenrolar
dos acontecimentos, a queda do socialismo no Leste Europeu e na URSS,
o esfacelamento do PCUS e o quadro de horror e terror que o imperialismo
impõe em todas as partes, ele não hesitaria em fazer,
como nós, autocrítica com relação a sua
prospectiva da conjuntura, e, ao contrário de capitular, lutaria
como lutou até os últimos momentos de vida contra a traição
e o oportunismo, como já havia prenunciado na formação
do CEPPES, ainda em 1989, ocasião em que se realizou a Semana
do Socialismo Vivo contra a falácia da crise e da morte
do comunismo, devido os acontecimentos no Leste Europeu. (Jornal
Inverta, nº 375).
Como se pode ver, a formulação que atribuo a Prestes acerca
do caráter da revolução socialista na Rússia
ter sido uma revolução de cima para baixo
não está, de modo algum, vinculada à idéia
quanto ao caráter popular e participação efetiva
das bases da sociedade no processo de luta e tomada do poder político,
que é indiscutível neste processo. Nisto, estamos inteiramente
de acordo com sua formulação e tão pouco a idéia
de Prestes, de revolução de cima para baixo,
está em contradição também, pois
acredito ele se refere à direção da revolução,
tanto da formulação do conteúdo programático,
quanto do comando estratégico e imediato da mesma, como você
tão bem escreve em seu livro sobre Lênin, ao abordar o
episódio de apresentação das Teses de Abril.
E, neste aspecto, tenho certeza que estamos todos de acordo. Pois este
fato é tão marcante na história da Revolução
Russa que é até desnecessário demonstrá-lo,
tendo em vista que a vasta obra de Lênin entre quais trabalhos
clássicos, como Por Onde Começar?; Que
Fazer?; Um Passo a Frente dois Atrás, entre
os mais conhecidos e acessíveis, são categóricos
em refutar a idéia da consciência revolucionária
espontânea das massas, ou seja, o espontaneísmo,
logo, não seria de modo algum arbitrário definir a revolução
socialista na Rússia como um processo dirigido de cima
para baixo, da vanguarda para as massas. Lênin afirmava
que: a tarefa do Partido Revolucionário era fazer a fusão
do socialismo científico com o movimento operário de massas.
Neste sentido, tudo fica mais claro, por exemplo, todos os historiadores
sabem que os anos que se seguiram à revolução foram
anos terríveis, onde as palavras de ordem se sucediam ditando
o ritmo do trabalho revolucionário, cujo dirigente era o Partido,
que além da luta imediata contra o imperialismo no front, a guerra
civil interna, teve que aplacar a fome do povo, devido ao boicote dos
latifundiários e camponeses ricos e, ao mesmo tempo, elevar a
consciência revolucionária, intelectual e cultural das
massas. Que a palavra de ordem: Estudar, Estudar e Estudar,
foi a senha para o desencadear de uma profunda revolução
cultural e política em todo o país. Neste aspecto, seria
ilusório imaginar que todo o pensamento elaborado que projetou
a eletrificação da Rússia, que definiu as tarefas
imediatas do poder soviético, fosse algo elaborado pelas bases
da sociedade. Portanto, chega-se ao significado último da expressão
revolução a partir de cima para baixo, sem
com isto negar a mais ampla e inédita participação
popular, tanto no processo da revolução antes, durante
e depois da tomada do poder político pelos Bolcheviques.
Finalmente, gostaria de relembrar a história e o conteúdo
das famosas Teses de Abril, em que Lênin defendeu
a passagem da etapa democrática burguesa para a etapa socialista,
consubstanciando a palavra de ordem: Todo o poder aos Sovietes.
Esta passagem inesquecível da revolução socialista
na Rússia mostra toda a força da teoria revolucionária
e, no limite, da formulação de Plekhanov acerca do Papel
do Indivíduo na História; pois o isolamento sofrido
por Lênin no próprio Comitê Central do POSDR, ao
apresentar suas teses, inclusive sendo chamado de louco, somente encontra
paralelo na história quando comparamos com o episódio
protagonizado por Fidel Castro, durante o início da Revolução
Cubana, na reunião dos revolucionários sobreviventes ao
ataque sofrido no desembarque do Iate Gramna. Explico a analogia: de
acordo com um pequeno opúsculo escrito por Raúl Castro,
relembrando este episódio, ele afirma que após o ataque
do exército de Fulgêncio Batista aos 82 revolucionários
que desembarcaram do Iate Granma, apenas 12, dos sobreviventes, se reuniram
em Sierra Maestra, e nesta reunião, ao fazer um balanço
da situação das tropas rebeldes (12 homens e 7 fuzis),
Fidel afirmou que não tinha dúvida da vitória,
e que ele, Raúl, pensou: ele está louco.
Eis, portanto, o que explica nossa compreensão de uma revolução
a partir de cima, ou seja, a partir da vanguarda para as massas e que
é inteiramente consistente com as teses de Lênin em Que
Fazer?. Desta maneira é possível entender que quando
Prestes falava que a Perestroika era uma revolução
de baixo para cima, significava dizer que agora, após mais
de 70 anos da Revolução, o grau de cultura e desenvolvimento
da sociedade soviética havia atingido um estágio superior,
aquele que Lênin, apoiado em Marx e Engels, em seu livro O
Estado e a Revolução definiu como fase superior
do comunismo, estágio este em que a sociedade avança
para a supressão do Estado, partido e etc... A idéia da
Revolução de cima para baixo deriva por seu
turno da necessária fase inferior do comunismo, período
de transição sob a forma de governo da Ditadura do Proletariado,
e que no caso da Rússia, a fórmula proposta por Lênin,
Ditadura Democrática do Proletariado e do Campesinato,
que foi duramente criticada por Trotsky em seu livro A Revolução
Permanente, relacionando-a com as teses originais de Marx e Engels
no Manifesto Comunista de 1848, da Ditadura do Proletariado
sem qualquer adjetivação. Claro que independente desta
controvérsia levantada por Trotsky, e que não tem razão
alguma, pois declina o caráter dialético do marxismo na
análise concreta da situação concreta, o fato é
que se subjetivamente a fórmula da Ditadura democrática
do proletariado e do campesinato resolvia o problema, por outro,
objetivamente, somente as transformações práticas
e o esforço do trabalho árduo poderiam superar o fosso
entre o Desenvolvimento Capitalista na Rússia e a
base material para o socialismo. Foi por isso que Lênin, em Uma
Grande Iniciativa, qualificou a atitude dos operários da
Ferrovia Moscou-Kazán, ao dedicar o sábado de folga à
construção de locomotivas, como um avanço
da consciência socialista para com o trabalho.
Assim, como se pode comprovar toda a história do socialismo a
partir da revolução socialista de outubro de 1917 na Rússia,
foi no sentido de vencer as etapas de obscurantismo, ignorância,
e fazer com que a base da sociedade, então composta na sua maioria
por camponeses, avançasse para um novo modo de produção
e sociedade, criando inclusive fórmulas simbióticas de
transição do capitalismo ao comunismo, ou das formas arcaicas
da agricultura feudal e semifeudal para o socialismo, como foram os
casos dos Kolkhozes e Sovkhozes. Prestes ao falar da Perestroika em
entrevista a Luis Ferrão afirmou:
O Gorbatchev participou do último congresso, o XXVII Congresso
do Partido Comunista, realizado em fevereiro de 1985. Propôs uma
revolução ao Congresso, que até o ano 2000 vai
dobrar a produção total soviética. É um
plano muito audacioso porque a União Soviética ainda não
utiliza os computadores mais modernos, de sexta geração.
Mas o Gorbatchev reconhece que esse plano, para ser realizado, exige
apoio das massas, que os trabalhadores se entusiasmem e participem conscientemente
do plano de construção. Para isso, as massas só
participarão se houver uma democracia mais ampla dentro do partido.
É isto que ela está mudando. A imprensa procurou confundir
esse objetivo do Gorbatchev com a eleição parlamentar.
A eleição parlamentar na União Soviética,
há muitos anos é regida pela Constituição
Soviética, que assegura a eleição mais democrática
do que no Brasil. (...) (http://www.militantehp.hpg.ig.com.br/entrev8.htm).
Prestes respondia sempre, quando alguém sugeria que o exemplo
da Perestroika na União Soviética significava que o marxismo
estava perdendo terreno:
Não, ao contrário, está ganhando. Os sucessores
de Lênin erraram muito. Lênin era um caso excepcional. Lênin
conhecia bem a teoria e a realidade da Rússia czarista, e depois,
da Rússia Soviética. O difícil é a aplicação
do marxismo. O marxismo não é dogmático, não
tem modelos, não tem cópias. O marxismo deve ser aplicado
à determinada realidade. (...) Voltando à União
Soviética, os sucessores de Lênin não conheciam
essa realidade, e erraram muito. Esses erros é que estão
sendo corrigidos agora pela Perestroika, que está substituindo
tudo de falso que foi feito por Stalin e seus sucessores. Stalin, através
da violência e do arbítrio, matando muita gente, como diz
o camarada Gorbatchev, crimes imperdoáveis. Mas Gorbatchev reconhece
também que na industrialização do país,
a partir do ano de 30, foi muito importante o papel de Stalin no estímulo
à classe operária, naquele momento crucial para a União
Soviética. Hitler estava avançando, ameaçando todo
mundo. Eu estava em Moscou em novembro de 31, e ouvi o discurso de Stalin
em que ele dizia: Se dentro de dez anos não tivermos uma
indústria à altura da do Ocidente, seremos esmagados.
E realmente, em dez anos, conquistou isso. Quando foi atacada, a União
Soviética, em 41, pôde reagir e esmagar o nazismo. Foi
a força da URSS que esmagou o nazismo, a ajuda norte-americana
naquele momento foi insignificante. Os Estados Unidos não ofereceram
mais do que 3% do consumo de munição e armamento. Foi
toda a indústria soviética criada de 30 a 41. Mas os erros
de Stalin foram realmente muito graves.
Na mesma entrevista, em seguida, mais uma vez defende sua convicção
de que o processo vivido pela URSS era, sobretudo, de aperfeiçoamento
do socialismo:
Eu, como comunista, jamais atacaria a União Soviética.
E mesmo a Stalin. Não atacava porque conhecíamos a verdade.
Para um comunista, a União Soviética foi o primeiro passo
no caminho da conquista do socialismo. Seria um crime atacar a URSS.
Agora, os próprios soviéticos reconhecem os erros cometidos
por Stalin. Estamos de acordo, achamos que essa crítica é
justa, necessária, vai contribuir para realçar o papel
do socialismo e abrir um futuro novo e promissor para o socialismo no
mundo inteiro.
Finalmente, ao ser questionado se era possível rebater
a afirmação que corre no mundo ocidental de que as transformações
ocorridas nos países do Leste Europeu são na direção
do capitalismo? O senhor acha que eles estão caminhando para
uma economia de mercado?. Prestes responde: Não.
Houve uma concepção muito falsa de Stalin e de outros
dirigentes soviéticos sobre dialética. E alguns comunistas
no Brasil cometeram muito esse erro. Haviam companheiros aqui que ficavam
indignados porque a União Soviética estava fabricando
Coca-Cola. Comprou a licença e está fabricando porque
a juventude soviética gosta de Coca-Cola, e o turista que visita
o país também. A dialética não é
assim. O socialismo não é a negação completa
do capitalismo. É a superação. É eliminar
o mau e aceitar o bom. Toda sociedade, todo o passado histórico,
toda humanidade acumulou riquezas, que são utilizadas pelo socialismo.
Por que não? Então, essa negação total é
que estava errada.
Naturalmente, a profundidade deste tema requer mais tempo e formulação,
pois, trata-se de um aspecto da revolução Russa que pouco
se debate, devido aos famosos jargões e clichês, como dizia
Mao Tse Tung, revisionismo, espontaneísmo.
Vimos no entanto, que a idéia defendida por Prestes sempre estava
em consonância com o sentido de avanço do socialismo, nunca
com o retrocesso, recuo ou concessão, ao contrário, Prestes
considerava verdades as afirmações contidas nas teses
de Gorbatchev, que Perestroika e Glasnost eram sinônimo de mais
socialismo, como descrevia e pregava o PCUS. E quem se choca com
este fato que saiba que Prestes não estava sozinho ao pensar
isto do processo na URSS e de Gorbatchev, uma prova disso é a
posição de Fidel Castro sobre este processo, eis o que
ele afirma no livro Um Grano de Maíz:
A nosotros nos parecieron bien los esfuerzos que hicieron los
soviéticos por perfeccionar el socialismo en la Unión
Soviética, pero no podíamos estar de acuerdo, ni habíamos
estado jamás de acuerdo, en que se destruyera no solo el socialismo
en la Unión Soviética, sino que se destruyera también
la Unión Soviética, por el dano terrible que eso significa
para todos los pueblos del mundo y la situación en que eso coloca
al Tercer Mundo, de manera particular. Pero, además, les crea
una situación difícil a los propios aliados de Estados
Unidos y se abre uma nueva pagina de la historia en estos momentos,
despues que se produce este desplome, no del campo socialista, sino
del desplome de la Unión Soviética; ha desaparecido todo
en el brevissimo curso de unos pocos años.
Te decía, cuando leí el libro de Gorbachev, que él
no queria eso. Gorbatchev hablava, incluso, de defender el socialismo
y de más socialismo, no de menos socialismo. Lo dijo y lo repitió
muchas veces, y no tengo duda de que él quería eso; pero
allí se desata un processo en el cual Gorbatchev tiene responsabilidad,
desde luego, y tienen responsabilidad los líderes soviéticos,
la dirección del partido soviético, la dirección
del gobierno soviético, en su conjunto; no hablo ahora de responsabilidades
individuales, hay una forma de responsabilidad colectiva en eso. (...)
Si tú destruyes la autoridad del Estado, la haces polvo, entonces
las consecuencias son igualmente terribles. No se trataba de destruir
los valores, nin de destruir el partido, ni destruir el Estado, y no
creo que ésas hayan sido las ideas o las intenciones de Gorbatchev,
pero ha venido a ser el resultado final de todo el proceso que se inició
a raiz de la Perestroika... (Castro, F. Un Grano de Maíz
Conversación con Tomás Borge. Oficina de Publicaciones
del Consejo de Estado, La Habana, 1992, pp.39-56)
Diante do exposto, espero que o camarada possa encontrar os elementos
que possibilitem uma avaliação mais positiva do editorial
375, bem como da própria idéia que ele contém da
revolução de cima para baixo. Entretanto,
acredito que devido à abrangência do tema, como por exemplo
a afirmação que fiz sobre o conteúdo das Teses
de Abril, da formulação inédita de Lênin
da Ditadura Democrática do Proletariado e do Campesinato,
diante da realidade concreta do desenvolvimento capitalista na Rússia
e da particularidade da revolução que avança no
aspecto subjetivo sobre a realidade objetiva, e etc; creio firmemente
que poderia ser um farto material para debate, e desenvolvê-los
aqui seria muito limitado. Neste sentido, afirmo com toda convicção
que as afirmações atribuídas a Prestes são
pertinentes e sem dúvida expressam sua posição
sobre o significado da Perestroika. Por isso afirmei também que
se ele continuasse agora entre nós, como era de sua prática
revolucionária, mergulharia nos estudos, encontraria os erros
e extrairia as lições necessárias à continuidade
da luta revolucionária. Para Prestes, capitulação,
traição, felonia eram palavras, conceitos e práticas
excluídas da sua prática e teoria de vida, por isso continuamos
com Prestes até hoje, e seguiremos assim. E quanto mais camaradas
que estejam com nosso Partido tenham as mesmas preocupações
e lealdade como você, camarada Élio, mais teremos certeza
de que não nos desviaremos do caminho!
Que sua recuperação seja imediata!
Até a vitória sempre!
Rio de Janeiro, 31 de agosto de 2004.
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