|
|
|
|
|
|
A XII Convenção de Solidariedade a Cuba Mais uma vez, os vários grupos e organizações brasileiras de solidariedade à revolução cubana se encontram para avaliar as condições em que se desenvolve esta atividade e fixar novas metas e tarefas unitárias. Como há cerca de aproximadamente 11 anos, este encontro a XII Convenção de Solidariedade, se realiza em Salvador, Bahia, tendo a frente de sua organização a Associação Cultural José Martí local, cuja presidente é nossa querida companheira e tenaz combatente Carmem Farias e toda a intrépida atual direção desta entidade. Mas, muito diferente daquela conjuntura em que se realizou a convenção no passado, a atual terá que se bater com uma realidade totalmente nova, em termos do Brasil e do mundo, e mais especialmente de Cuba. Não é objetivo deste editorial desenvolver uma análise profunda deste quadro e apontar caminhos para este encontro de solidariedade, mas apenas levantar alguns pontos ou questões que contribuam com a reflexão dos participantes deste importante evento. O primeiro é até que ponto o movimento de solidariedade a Cuba pode contar com o apoio do atual governo brasileiro; considerando que este é um governo de bases populares, que em seus quadros principais constam elementos que até ontem estavam na linha de frente da solidariedade a Cuba, como Frei Beto. É fato que o governo Lula tem estreitado os laços econômicos e diplomáticos com Cuba, mas, em que direção caminham estas relações? No sentido de apoiar as empresas coletivas e estatais ou no sentido do desenvolvimento das empresas privadas e da presença dos monopólios privados nacionais e internacionais na economia de Cuba? Finalmente, o problema fundamental, ou seja, o de saber até que ponto este tipo de relação econômica e diplomática do governo Lula fortalece ou esvazia o papel do movimento de solidariedade no país, substituindo-o, cada vez mais, pelas relações oficiais ou tornando-o meras correias de transmissão de sua política oficial de governo? Sem dúvida, esta nova realidade nacional torna um desafio para a XII Convenção de Solidariedade a Cuba pensar de forma independente e autônoma ao governo Lula e encontrar caminhos para sua atividade sem abrir mão do apoio deste, em todos os níveis. É fato que a questão primeira da solidariedade a Cuba é impedir que o imperialismo norte-americano isole e sufoque esta experiência humana magnífica, portanto, par e passo às ações civis e individuais de apoio político e econômico, deve-se lutar também pelas relações formais, econômicas e diplomáticas, de governo a governo, rompendo o bloqueio oficial do imperialismo ao povo cubano e seu sistema social o que significa impulsionar o governo brasileiro à prática do princípio do direito dos povos à autodeterminação. Portanto, esta luta pelas ações civis e governamentais que rompam e impeçam o bloqueio a Cuba deve implicar no fortalecimento das primeiras pelas segundas e nunca a substituição ou mesmo limitação daquelas por estas. A importância deste fundamento no movimento de solidariedade é tão vital que a história acaba de nos demonstrar este fato com o lamentável episódio da espúria posição diplomática do governo mexicano e peruano, em relação a Cuba, na Assembléia das Nações Unidas. Neste ponto, o importante é compreender que as relações de caráter civil, sejam ideológicas ou econômicas, são mais fortes e sólidas que as relações diplomáticas e políticas dos governos oficiais, mesmo os de caráter popular, em formação econômica capitalista dependente. Pois, considerando que a ascensão destes governos ao poder político do país se deu pelas regras da democracia burguesa e não por uma revolução de fato (como Cuba, China, Vietnã, Coréia do Norte e outros), eles estão sujeitos à ditadura do capital e suas oscilações objetivas e subjetivas, crises, e a luta interimperialista que tem se agravado no plano internacional através da guerra dos EUA pelas fontes de matérias-primas, o petróleo, no Oriente Médio (Afeganistão e Iraque) e América Latina (Venezuela, Colômbia e Bolívia). Nestes termos, somente a ação independente e autônoma do movimento de solidariedade poderá manter relações que impeçam o isolamento de Cuba, pois tanto os vínculos ideológicos como os interesses econômicos diretos são mais fortes que a política diplomática oficial do governo. É claro que um governo anti-Cuba dificulta com suas leis e sanções, ao seu povo e aos demais, organizações e países, as relações com Cuba, contudo, não consegue impedi-las na totalidade. A solidariedade que Cuba recebeu do povo norte-americano e mundial diante do caso do menino Elián é um exemplo contundente; o mesmo se observa com a caravana dos Pastores da Paz, com o turismo e o comércio, e, finalmente, com a atual campanha pela libertação dos 5 cubanos ilegalmente presos por defenderem seu país da máfia que trama golpes e invasões. Todo este processo se passará com o México e o Peru, demonstrando a força do movimento de solidariedade independente e autônomo. Um outro lado da questão, e que contribui para fortalecer o movimento de solidariedade em termos civis, é a direção da política diplomática e das relações econômicas desenvolvidas pelo governo brasileiro. Aqui é mister se lutar por relações oficias que fortaleçam e privilegiem as empresas estatais e comunais de ambos os países, especialmente Cuba, em detrimento de esforços e iniciativas privadas. Claro que neste terreno é mais difícil para o movimento de solidariedade, que atua de forma independente e autônoma, influir no governo, pois implicaria um trabalho ao nível do orçamento e das prioridades de investimentos e incentivos governamentais, bem como a definição de parcerias e opções de sistemas tecnológicos. Contudo, considerando o governo brasileiro atual, cujas bases populares são seu principal mérito e força entre as próprias oligarquias no país, a questão muda de figura e é possível nas várias áreas onde a Ilha desenvolveu uma tecnologia de excelência, como na Saúde, Educação, Biotecnologia, etc, instituir parcerias e desenvolver empresas estatais mistas, fortalecendo relações de trocas iguais, sem a usura e a ganância capitalista privada. Naturalmente, o capitalismo de Estado não é nosso ideal de sociedade, mas não podemos esquecer aqui Lênin, que indica esta forma de capitalismo como uma forma de transição para o socialismo, portanto, senão podemos constituir relações inteiramente de caráter socialista, pelo menos que sejam estatais, que possibilitem o convívio entre os dois sistemas em termos de relações de mercado. É claro que no plano cultural, os ritmos, sabores
e cores, a estética geral entre os dois povos e países,
o movimento de solidariedade mais que despertar as similitudes
como se pode comprovar pelo clássico documentário Brás-Cubas
de Santiago Alvaréz deve aprofundar a construção
da identidade latino-americana sem renegar as raízes indo, euro
e africana, considerando-as sobre o patamar da unidade, independência
e revolução continental, como nos indica a rapsódia
bolivariana, martiniana e guevarista, e que tão bem se sintetizam
na revolução cubana, no povo heróico, no seu Partido
Comunista e, sobretudo, em seu Comandante em Chefe, Fidel Castro Ruz.
É neste patamar de identidade, que o movimento de solidariedade
a Cuba no Brasil não pode deixar de ser o primeiro a se ombrear
ao voluntariado para as missões internacionalistas, não
apenas em Cuba, mas também nas de solidariedade aos povos oprimidos
e que lutam contra a opressão imperialista e capitalista no mundo,
particularmente na América Latina, como são os casos do
povo venezuelano e da Colômbia. É claro que, neste aspecto,
Cuba, diante da atual correlação de forças internacional,
tem no plano ideológico a principal forma de luta, denunciando
a unipolaridade, a globalização neoliberal e a crise do
capital, bem como o genocídio, terror e barbárie da guerra
imperialista. Para além disso, Cuba continua a salvar vidas e
a educar populações inteiras (com sua teconologia e especialistas).
Portanto, o movimento de solidariedade, mais que lutar pela identidade
cultural, deve pensar seriamente na própria defesa de Cuba no
caso de uma invasão imperialista, logo, na constituição
de brigadas internacionais, repetindo a histórica e heróica
atuação brasileira na Guerra Civil Espanhola. Abaixo o bloqueio a Cuba! Rio de Janeiro, 8 de junho de 2004 P. I. Bvilla - pelo
OC do PCML
Voltar
O Jornal INVERTA é
um órgão a serviço do Partido Comunista Marxista-Leninista
- e é uma publicação da INVERTA - Cooperativa de
Trabalhadores em Serviços Editoriais e Noticiosos Ltda. Sede
Comercial: Rua Regente Feijó, 49 - 2º andar, Centro - Rio
de Janeiro - Brasil. CEP 20060-060. Telefax: (0XX21) 2507-2049. Redação:
(0XX21) 2222-4070. E-mail: inverta@inverta.com.br URL: http://www.inverta.com.br
Caixa Postal: 50075 - CEP: 20060-970. Sucursais: São Paulo -
invertasp@inverta.com.br; Minas Gerais-invertamg@inverta.com.br; Paraíba
- invertapb@inverta.com.br; Ceará - invertace@hotmail.com; Brasília-
invertadf@yahoo.com.br; Rio Grande do Sul - invertars@zipmail.com.br.
Editor: Aluísio Beviláqua. Jornalista Responsável:
Bianka de Jesus (Reg. 19.761). Conselho Editorial: Antonio Duarte, Aluísio
Pampolha Beviláqua, Agostinho Jose Soares, Bayard Boiteux, Domar
Campos, Delci Silveira, Élio Bolsanello, Eurico Figueiredo, João
Batista Barbosa, José Ferreira de Alencar, Jacy Pereira Lima,
Miguel Batista, Nicolino Trompieri, Oscar Niemayer, Philomena Gebran,
Roberto Nogueira, Rosa Terço e Zola Florenzano. Equipe de Redação:
Antonio Cícero, Bianka de Jesus, Julio Cesar de F. Lobo, Roberto
Figueiredo, Osvaldo da Costa e Sérgio A. Paulino; Correspondentes
Internacionais: Tiziano Tussi (Itália), Antônio Duarte
(Suécia), Roselis Batista (França). Agências de
Notícia: Xinhua e Prensa Latina. Correspondentes em outros Estados:
Francisco Malta (CE), José da Silveira Filho (PR), Oduvaldo Batista
(PB), Carla Monteiro (DF); Roberto Figueiredo e Roberto Nogueira (SP),
Sebastião Rodrigues (MG), Neimar Oliveira (RS), Sueli Dantas
(RJ). Colaboraram neste número:Haroldo de Moura, Helena Campos,
José Rogaciano de Oliveira, Marcelo Fillipo, Paulo Costa, Wilson
Gomes de Almeida . Colaborações especiais: Xinhua/Prensa
Latina. Diagramação e composição: INVERTA.
Impressão: Tribuna da Imprensa.
|
"Gosto de ler o Inverta, da clareza política dos que o dirigem diante deste clima de desesperança em que se vive" Oscar Niemeyer |