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Resistir ao genocídio do Brasil O I Seminário Nacional Contra o Neoliberalismo,
realizado em comemoração aos 12 anos do Jornal INVERTA,
pela primeira vez em nosso país, abordou o problema das chacinas,
massacres e execuções sumárias praticadas contra
a classe operária e o povo pobre, dentro seu real significado
no contexto nacional e internacional da sociedade capitalista atual.
Primeiramente, ele saiu do lugar comum dos diversos organismos de direitos
humanos internacionais (ONGs) e realçou tanto a denúncia
do extermínio quanto as causas mais profundas e verdadeiras raízes
deste genocídio. O Seminário mostrou que as estatísticas
estarrecedoras, apontadas pelos organismos nacionais e internacionais
oficiais e não oficiais que denunciam a violação
dos direitos humanos, o recente relatório da Anistia Internacional,
Brasil Rio de Janeiro 2003: Candelária e Vigário
Geral 10 anos depois; ou o Segundo Relatório Nacional sobre
os Direitos Humanos no Brasil, elaborado pela Comissão Teotônio
Vilela e patrocinado pela Secretaria Especial de Direitos Humanos; por
um lado apenas arranham os números reais de casos que estão
acontecendo diuturnamente no país, e por outro, nem de longe
chegam à raiz do problema que em parte está nas políticas
maiores ditadas pelos organismos financeiros internacionais BIRD, FMI,
BIS, etc, com base na doutrina neoliberal; em parte nas políticas
menores dos governantes para se adaptarem às exigências
das oligarquias internacionais; e finalmente, na cultura de dominação
de classe no país. O relatório da Anistia Internacional é ainda
mais chocante, pois focaliza seus dados sobre o Rio de Janeiro, em particular
sobre os fatos de maior repercussão na mídia nacional
e internacional; fatos que renderam milhares de dólares em projetos
sociais para ONGs e outros tantos no comércio de imagens e informações,
através dos jornais, revistas e outras formas de faturamento
sobre a tragédia social, pela burguesia. A certa altura ao falar
do atual governo do Estado do Rio de Janeiro afirma: Assim, os dados nos colocam não apenas diante de uma tragédia social, mas de um genocídio programado. Não necessita pesquisa minuciosa para deduzir que a esmagadora maioria das vítimas é pobre, negra e mestiça, do sexo masculino e jovem. Naturalmente, se falamos de um genocídio decorrente da ação repressiva do Estado, então é necessário entender que este processo não se explica pela alegoria da banda podre ou banda sadia das forças de repressão (Polícias, Justiça, etc.); embora isto agrave a situação, ela não responde pelo problema da aplicação da repressão em escala de genocídio, pois calculando bem as coisas, um Estado que planeja a repressão e executa operações policiais que matam mais de 1.000 pessoas anualmente, ou um país que planeja matar mais de 7 mil pessoas todo ano é um estado e um país onde se planeja matar tanto quanto as FFAA dos EUA que planejam as vítimas colaterais de suas guerras cirúrgicas (Iugoslávia, Afeganistão, Iraque, Libéria etc.) E para um Estado ou país que mata 1.000 ou 7.000 pessoas todo ano, do seu próprio povo, é ou não é um Estado e país que pratica um genocídio contra seu povo? Aqui não interessa quem são as vítimas, cor, sexo, religião, status social, idade; se é bandido ou mocinho; o problema é que um país onde a normalidade democrática está em vigor, a pena de morte é proibida e as chacinas e torturas são crimes hediondos, não há outra definição senão a de um Estado ou país que pratica o genocídio contra seu povo. Uma análise comparativa com as estatísticas de outros países em conflito ou guerras civis mostra que em nosso país, mesmo sem uma guerra civil declarada, o número de mortos e vítimas é maior do que no conflito na Palestina e Irlanda; em relação à América Latina, as mortes por chacinas, massacres, execuções e assassinatos praticados pelos órgãos de repressão só perdem para a Colômbia, onde a guerra civil é reconhecida abertamente e a ação dos EUA, através do seu Plano Colômbia, alimenta um aparato paramilitar (braço armado clandestino dos barões feudais do narcotráfico), que apoiados pelo aparato oficial do Estado se lança contra trabalhadores e camponeses promovendo massacres na tentativa de isolar a guerrilha das FARC-EP e do ELN, das massas. Portanto, por trás deste genocídio estão mais que a idéia de policiais bonzinhos (banda boa) e policiais mauzinhos (banda podre); preparados e despreparados, equipados e não equipados; em síntese, o problema não é da boa ou má corporação policial (polícia civil, militar, federal, polícia do exército, carcerária, vigilantes, bombeiros) envolvida nas ações de extermínio ou incursões oficiais nas ruas, favelas, bairros proletários, acampamentos de sem tetos ou sem terras, neste país; pois todas estão envolvidas, inclusive setores do estado com poder de polícia, no Judiciário e Fazenda; mas, sobretudo, de políticas que se subordinam a políticas maiores impostas ao nosso país, pelo BIRD e FMI (oligarquias financeiras internacionais), para que se mantenha na rota do fluxo dos capitais especulativos e que oxigena o sistema de exploração e miséria do capital em nosso país e no mundo. Naturalmente, isto não diminui em nada a responsabilidade tanto dos mandantes (linha de comando) como dos executores desta barbárie contra nosso povo; para quem, desde já, exigimos prisão, julgamento público e penas didáticas. Contudo, também declaramos que esta medida é impotente e ilusória para por fim, de fato, ao reinado de terror e barbárie em nosso país. Ela se limita a uma explicação cultural que decorre desde a descoberta, como se pode observar na polêmica entre o Frei Bartolomeu de Las Casas e Colombo, sobre a conquista do novo mundo, e não resolve nem um pouco o problema concreto, elevando o debate a um tom pseudo-erudito, entabulando-o no quadro da condenação moral, enquanto de fato, continuam a se processar as causas de toda esta tragédia humana agravada no final do século passado e que continua a se desenvolver no atual século, na tentativa de se perpetuar como destino comum para a massa de milhões de seres humanos em nosso país e no mundo. É somente neste quadro que se pode concretamente encontrar as raízes e causas fundamentais deste genocídio e cuja solução está além do debate maniqueísta entre a linha da Polícia Cidadã (respeito aos direitos humanos) e a linha do Bandido bom é o bandido morto (lei faroeste ou tolerância zero). Pois quem não veja a raiz deste genocídio, hoje abertamente agravado em nosso país, no que se convenciona chamar de políticas neoliberais, ditadas pelo BIRD, FMI, BIS e outros organismos internacionais, por onde as oligarquias financeiras controlam as políticas governamentais de todo o mundo, não compreende da missa nem um terço. E justamente, neste aspecto que o I Seminário Nacional Contra o Neoliberalismo deu um passo à frente, apontando para as causas desta tragédia e possibilitando uma luta concreta de resistência ao genocídio neoliberal. Este genocídio é apenas mais uma manifestação da crise geral do sistema capitalista que se agravou a todos os níveis como resultado da aplicação sem limites das políticas neoliberais internacionalmente. Analise com seriedade as estatísticas contidas nos relatórios anuais do próprio Banco Mundial, que mostram claramente o crescimento vertiginoso do desemprego e da miséria e o empobrecimento das massas trabalhadoras e camponesas, em todo mundo, em contradição com a aplicação das novas tecnologias na produção social e nos serviços. As novas tecnologias, baseadas na microeletrônica (cibernética), na engenharia nuclear (fissão atômica) e na engenharia genética (DNA), não somente potencializaram o desenvolvimento das forças produtivas a uma escala planetária como criaram todas as condições para abolir o trabalho humano manual em vários setores da produção social. Não é necessário explicar que a origem desta revolução tecnológica, que pode se entendida como a terceira etapa da revolução industrial, iniciada no século XVII, a primeira foi na máquina ferramenta, a segunda na máquina motriz e agora no mecanismo de transmissão e direção da máquina (informática) que está nos centros de P&D, criados pelo Estado do Bem Estar Social, na emulação com os países socialistas, onde as pesquisas científicas eram políticas oficiais do Estado; também não é necessário entrar em minúcias sobre isto, apenas que este processo fazia parte de uma das frentes do que se traduzia chamar de guerra fria ou guerra suja dos países imperialistas, liderados pelos EUA contra os socialistas, liderados pela URSS. Neste aspecto, o que vale à pena acrescentar é que se tratava de uma forma de manifestação da luta de classes, num período histórico onde o avanço da revolução proletária mundial e das forças do comunismo fazia os trabalhadores, mundialmente, arrancarem concessões da burguesia, na lógica de dar os anéis para não perder os dedos. Com o fim da guerra-fria e conseqüente débâcle da URSS e do Campo Socialista do Leste, a burguesia se viu liberada do sigilo e aplicação exclusivamente militar da revolução tecnológica fluindo-a para a produção social à escala de monopólios e mega-monopólios ou como afirmam os economistas modernos, oligopólios. Com a aplicação destas tecnologias ao nível das empresas transnacionais, todo o sistema produtivo capitalista é obrigado a fluir para este novo padrão tecnológico que rapidamente gerou a epidemia do desemprego estrutural, ampliando o exército industrial de reserva ao paroxismo, em contraposição a escala da produção e mega-produção. Ao mesmo tempo, caiu o tempo social médio de trabalho, o valor adicionado em cada mercadoria produzida em relação ao valor transferido pela tecnologia ou máquina, a composição orgânica do capital altera-se radicalmente, ou seja, capital variável (o valor monetário dos salários) cai drasticamente em relação ao capital constante (valor das máquinas e matérias-primas) na sociedade e a tendência decrescente da taxa de lucro que se apresenta exigindo um fluxo de capital financeiro (fictício) cada vez maior para manter a demanda solvente nos termos de custo e lucros da produção capitalista mundial. Paralelamente, a corrida ao capital financeiro para custear as mudanças do padrão tecnológico de empresa para empresa, de país para país, aprofundou a política de damp, levando a um processo de concentração e centralização de capitais, logo, de novas associações e sindicatos de empresas internacionais, que passam a auferir superlucro enquanto as demais que não acompanham o ritmo frenético destas transformações sucumbem na bancarrota, os países nas dívidas externas. E nestas condições, a lei geral da acumulação capitalista descoberta por Marx se manifestou indicando um novo ciclo da economia e com este novo ciclo, a manifestação também da crise estrutural ou geral de todo o sistema e modo de produção social capitalista. Assim o processo de restruturação do capitalismo sob a doutrina neoliberal se impôs em todo mundo como política oficial dos programas de restruturação dos países centrais e periféricos do capitalismo. E ao contrário da conjuntura de crise do capital que gerou seu nascimento, hoje a crise caminha para um desfecho imprevisível, devido às condições da luta de classes no plano internacional. Na década de 70, quando da crise do Estado do Bem Estar Social, face ao aumento dos custos de produção (aumento do preço do petróleo), devido às revoluções islâmicas e à formação da OPEP, que levou os EUA, unilateralmente, romperem com o tratado de Breton Woods (Paridade dólar-ouro), independente da idéia sobre a natureza do regime social na URSS, a correlação de forças internacional não permitia uma política oficial de Estado de genocídio, como a que assistimos atualmente, dentro do marco da legalidade. O Estado em sua concepção Keynesiana era um amortecedor do conflito social, toda a repressão advinha da violação da ordem constitucional, como ocorreu com os golpes militares e civis, em grande parte da América Latina e no mundo. Mas, com a mudança na correlação de forças internacional entre os trabalhadores e a burguesia, após o desaparecimento da URSS, as políticas neoliberais ampliaram e sua aplicação indiscriminada. A tríade da privatização, desregulamentação e flexibilização do trabalho retirou toda a ação do Estado na economia, permitindo que os trabalhadores perdessem suas conquistas arrancadas ao longo de anos de lutas, multiplicando-se aos milhares os desempregados, famintos e desesperançados da vida. Ao mesmo tempo, a desarticulação e o recuo das forças do comunismo, permitiu que o sindicalismo amarelo e, até mesmo, setores burgueses, seitas milenaristas e o fascismo ressurgissem na disputa da liderança do proletariado mundial. Mas, se a aplicação da revolução
tecnológica através das políticas neoliberais provocou
todo este processo de opressão, exploração e miséria
para a classe operária no mundo, também revelou os seus
limites para resolver a crise do capital chegando ao paroxismo de não
poder sustentar um novo padrão de acumulação dentro
dos marcos do sistema capitalista atual. Não pode produzir pouco
devido aos altos custos da tecnologia empregada e não pode produzir
muito a custos baratos devido à incapacidade da demanda solvente,
ou seja, devido à queda do consumo geral das massas, pelos baixos
salários, desemprego e miséria. Neste impasse, a crise
de acumulação se apresenta, cresce a concentração
de capitais e a sociedade inteira mergulha na barbárie, formas
de acumulação primitiva ressurgem e com ela a forma
cruel da lei geral da acumulação, como dizia Marx no Capital. Portanto, nossa tarefa não é enganar o povo
apresentando falsas soluções ou criando expectativas que
jamais serão atingidas, nossa luta é: primeiramente, organização
de autodefesa do povo, através de comitês e ações
que inibam o abuso policial, o emprego de força letal e o respeito
aos direitos humanos; ações que documentem e desenvolvam
a mobilização e consciência das massas, contribuindo
com os movimentos sociais em todos os níveis, favelas, bairros,
fábricas, cultura e etc; em segundo lugar, desenvolver atividades
que elevem a politização cada vez maior dos movimentos
e lutas da classe operária contra o genocídio, em todos
os recantos do país, mostrando sua ligação com
as políticas neoliberais e a necessidade do povo em derrubar
os governos e forças neoliberais e substituí-las por forças
que realmente rompam com a submissão ao imperialismo e sua globalização
neoliberal. Finalmente, iniciar um processo de formação
de novas lideranças que rompam o limite do peleguismo e da alienação
das drogas e outros meios que o capitalismo emprega para neutralizar
a energia revolucionária da juventude. Na época histórica
que se vive, onde o neoliberalismo é não mais que sinônimo
de capital financeiro que escraviza, explora e oprime a todos na sociedade,
ir realmente ao fundo da questão do genocídio sobre nosso
povo, nada mais é que ir ao encontro da revolução
social, pois se a cocaína é o câncer da juventude,
o capital financeiro é a cocaína do capitalismo de hoje,
e em ambos tem por solução a morte; que seja a do capital
e não a da juventude! Todos à luta contra o genocídio
neoliberal sobre nosso povo! Abaixo todos os governantes assassinos e responsáveis
pelo genocídio neoliberal! Todos na organização dos comitês
de autodefesa do povo! Salve o I Seminário Nacional de Luta Contra o Neoliberalismo! Rio de Janeiro, 03 de outubro de 2003 P. I. Bvilla. P/ OC do PCML
Voltar Não publicada na edição Voltar O Jornal INVERTA é um órgão a serviço do Partido Comunista (Marxista-leninista) - e é uma publicação da INVERTA - Cooperativa de Trabalhadores em Serviços Editoriais e Noticiosos Ltda. Sede Comercial: Rua Regente Feijó, 49 - 2º andar, Centro - Rio de Janeiro - Brasil. CEP 20060-060. Telefax: (0XX21) 2222-4069. Redação: (0XX21) 2507-2049 e fax (0XX21) 2222-4070.e-mail: inverta@inverta.com.br. URL: http://www.inverta.com.br Caixa Postal:50075 - CEP: 20060-970. Sucursais: São Paulo - Avenida Taboão, 2979/Sala 4, São Ber-nardo do Campo, SP _ CEP: 09.870-000 - Tel: (0XX11) 4173-3804; Minas Gerais - Av. dos Andrades, 367, Loja 204-A - Edifício Central - Centro, TEL: (0XX31)3273-3633, BH, MG - CEP 30120-907;Paraíba _ Av. Rio Grande do Sul, 1462, Bairro do Estados, João Pessoa, PB _ CEP: 58.030-020 _ Tel: (0XX83) 224-0277. Ceará: Rua Amazonas, 1712 , Bela Vista - CEP 60.442-070 - Fortaleza - CE. Tel.: 482-6757 ou 9990-2004.Editor: Aluísio Beviláqua.Jornalista Responsável: Bianka de Jesus (Reg. 19.761).Conselho Editorial: Antonio Duarte, Roberto Nogueira, Agostinho Jose Soares, Élio Bolsanello, Aluísio Pampolha Bevilaqua, Bayard Boiteux, Delci Silveira, Domar Campos, Eurico Figueiredo, Jacy Pereira Lima, João Batista Barbosa, José Ferreira de Alencar, Miguel Batista, Nicolino Trompieri, Oscar Niemeyer, Philomena Gebran, Rosa Terço e Zola Florenzano.Equipe de Redação:Antonio Cícero, Bianka de Jesus, Jorge Ferreira, Júlio César de F. Lobo, Márcia S. Santos, Roberto Figueiredo, Romildo Alves Fernandes e Sérgio A. Paulino;Correspondentes Internacionais: Tiziano Tussi (Itália), Antônio Duarte (Suécia), Roselis Batista (França). Agência de Notícia: Xinhua.Correspondentes em outros Estados: Francisco Malta (CE), José da Silveira Filho (PR), Oduvaldo Batista (PB), Osmarina Portal (DF); Roberto Figueiredo e Roberto Nogueira (SP), Sidnei Martins (MG), Neimar Oliveira (RS), Sueli Dantas (RJ).Colaboradores neste número: Alcyr Cavalcanti, Aluizio Alves, Carla Monteiro, Élio Bolsanelo, Jean Guy Allard, José Tafarel, José de Souza, Helena Campos, Mariana Zand, Mauro Viana, Manoel Gonçalves da Costa, William Costa, Rubem Grilo, Sebastião Rodrigues, Sebastião Matias C. Neto, Zimbauê Ferreira.Colaborações Especiais: Granma. Diagramação e Composição: INVERTA.Webmaster: Raphael BevilaquaOs artigos assinados
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"Gosto de ler o Inverta, da clareza política dos que o dirigem diante deste clima de desesperança em que se vive" Oscar Niemeyer |