A PAZ DOS PACIFICADORES

O Plano Colômbia é uma declaração de
guerra contra a América Latina e o Caribe

O Plano Colômbia é uma declaração de guerra contra a América Latina e o Caribe e que vem sendo impulsionado pelos defensores resolutos do paradigma do DIREITO AO DESENVOLVIMENTO, no qual os INVESTIDORES se advogam o direito a fazer da guerra, da fome, da prostituição infantil e da droga os máximos “baluartes” da humanidade.

O Plano Colômbia está direcionado a bombardear a UNIDADE dos povos da América Latina e do Caribe que em qualquer parte se levantam contra a barbárie do modelo neoliberal, contra a sua surdez e o seu totalitarismo. Povos conscientes da existência de homens e mulheres do outro lado das linhas fronteiriças que padecem da mesma angústia e lutam com a mesma urgência contra a equação do capital, na qual investimento mais espoliação, multiplicado por desemprego e fome, elevado à potência da barbárie, é igual a Desenvolvimento.

Fazemos um chamamento aos povos da América Latina e do Caribe a não permitir nenhuma distração nesta luta que levamos adiante contra o modelo neoliberal, contra as exigências do FMI, do BM, do BID, essas organizações dos banqueiros internacionais que referendam a sua imposição econômica na Colômbia através da imposição militar expressa no Plano Colômbia. Plano de Guerra que impulsionam afanosamente junto aos governos dos Estados Unidos, Grã Bretanha e Espanha, que são paradoxalmente os principais investidores na Colômbia.

Os defensores do direito ao desenvolvimento sonham febrilmente que o sangue entre irmãos seja derramado em rios de ódio incontido para reinar dentro do caos. Nós, os povos, não somos adeptos da guerra e, ao contrário sonhamos com um amanhecer melhor no qual finalmente esse flagelo desapareça. O povo colombiano unificou a sua voz contra o Plano Colômbia e a nossa voz tem merecido o respeito de escritores, poetas, trabalhadores e ONGs de todos os continentes que vêm se pronunciando contra este plano de guerra continental que terá como epicentro a Colômbia. Não queremos nos desgastar em pensar o que vai acontecer quando a tragédia de direitos humanos que se vive na Colômbia (catapultada a propósito do Plano Colômbia) onde importantes empresas trans-nacionais têm as suas próprias forças de segurança e estão apostando na guerra para “proteger os seus investimentos”, irradie como uma epidemia sobre o resto do continente.

Queremos mais é sonhar em vocábulos de solidariedade, de irmandade, de concórdia entre os povos para fazer e construir o futuro que merecemos em virtude das nossas potencialidades humanas e econômicas, para compartilhar em harmonia o prodígio da vida, em um planeta privilegiado, A Terra.

Bem-vindo seja o MANIFESTO PELA PAZ que já foi assinado por vários prêmios nobeis e importantes organizações de direitos humanos, no qual se exige dos governos dos países desenvolvidos, das empresas trans-nacionais, dos banqueiros internacionais e do governo colombiano que o mesquinho mundo dos investimentos respeite os direitos humanos da humanidade. Ganhar adeptos em torno deste manifesto deve ser uma tarefa a ser realizada em cada país.

Nem um dólar, nem uma vida truncada, nem armamento, nem bases militares, nem espaço aéreo nem político para a guerra. Potencializaremos as nossas vozes contra o Plano Colômbia, cujo próximo capítulo será na Costa Rica. Lá aspiramos avançar na construção de uma paz duradoura com justiça social, para que a paz comercial, a dos pacificadores (os investidores) não volte a se impor como já aconteceu em reiteradas oportunidades no continente. Em cada país os inimigos da guerra seremos portadores ativos da paz, juntaremos as nossas reclamando de cada governo o seu rechaço ao Plano Colômbia e iluminar assim com  luzes de Paz a Conferência da Costa Rica. Cada conquista ou fracasso, cada esforço neste sentido o compartiremos para confrontar a débil argumentação da morte. Faremo-no a partir de cada país...a partir de cada continente.

A CONFERÊNCIA INTERNACIONAL SOBRE A PAZ E DIREITOS HUMANOS a ser realizada nos dias 17, 18 e 19 de outubro de 2000 em San José da Costa Rica é um cenário convocado por diversos setores da sociedade colombiana, aglutinados no espaço de convergência PAZ COLÔMBIA, para promover a construção democrática da paz, demandara a plena vigência dos direitos humanos, incentivar a participação dos colombianos no planejamento do seu futuro e procurar acordos para que a ajuda internacional seja orientada para estes propósitos e não para a guerra.

As organizações sociais e ONGs, democratas e progressistas, escritores e poetas do mundo têm a palavra na nova cruzada dos Estados Unidos contra um continente, para que não seja assassinada a verdade e a vida, para que não seja congelada a solidariedade, para que não seja devastada  a Amazônia com ONGs biológicas e de pólvora, para descobrir a face de morte que existe além das luzes de bengala que aparecem como inofensivos jogos pirotécnicos nas telas de televisão e que tiram vidas de seres indefesos que os especialistas da mentira chamam “efeitos colaterais”, quando na realidade são meticulosamente calculados para CRIAR TERROR NA POPULAÇÃO, principal objetivo das guerras modernas.

Comissão internacional da União Sindical Operária USO - Cesar Carrillo e Freddy Pulecio
(Agências de Notícias Nova Colômbia)

Publicado no Jornal INVERTA 264 (de 13 a 19/09/00)

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